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 Noiva de Bruno nega plano para matar juíza e mais 4 pessoas
22 de dezembro de 2011 12h32 atualizado às 13h28

Noiva do ex-goleiro Bruno prestou depoimento nesta quinta-feira . Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

Noiva do ex-goleiro Bruno prestou depoimento nesta quinta-feira
Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

Ney Rubens
Direto de Belo Horizonte

A noiva do ex-goleiro do Flamengo Bruno Fernandes, Ingrid Calheiros, negou em depoimento na manhã desta quinta-feira, na Divisão Especial de Operações Especiais (Deoesp), que tenha qualquer conhecimento de um suposto plano que foi denunciado por um detento para matar a juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues do Fórum de Contagem (MG); o delegado Edson Moreira, chefe do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa de Belo Horizonte (DHPP); o deputado estadual Durval Ângelo (PT-MG); o advogado José Arteiro Cavalcante Lima, representante de Sônia de Fátima Moura, mãe de Eliza Samudio; e também o advogado Ércio Quaresma, ex-defensor de Bruno, atual advogado do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola.

"É um absurdo o que esse preso falou. Ela não tem qualquer envolvimento, não sabe de nada sobre isso. Quero destacar que a Ingrid é da sociedade ordeira, não tem ligação nenhuma com delinquência", afirmou Francisco Simin, advogado de Bruno.

A dentista carioca foi intimada pela Polícia Civil após ter o nome citado pelo detento Jailson Oliveira, que ficou um período preso na mesma cela do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, na Penitenciária Nelson Hungria. Oliveira teria ouvido de Bola o suposto plano, que contaria com intermediação de Ingrid para contatar, no Rio de Janeiro, o traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, chefe do tráfico da favela da Rocinha.

De acordo com a denúncia, Nem seria a pessoa que executaria o suposto plano. O traficante está preso em uma penitenciária federal no Mato Grosso do Sul.

O delegado Islande Batista, chefe do Deoesp, confirmou que Ingrid disse desconhecer a suposta trama. "Ela nega veementemente, diz que não conhece diretamente o Nem e não sabe de onde surgiu essa informação".

Na tarde desta quinta-feira será a vez de Bola prestar depoimento. Conforme Batista, se ele também negar a existência do plano, a polícia poderá fazer uma acareação entre Bola e o detento Jailson Oliveira.

Aniversário
Nesta sexta-feira, Bruno fará 27 anos. Ingrid passará o dia com ele, durante o horário de visita, de acordo com o advogado do ex-goleiro do Flamengo. Bruno foi preso em 7 de julho do ano passado.

O caso Bruno
Eliza desapareceu no dia 4 de junho de 2010 quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano anterior, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, então com 4 meses, estava lá. A mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação de uma namorada do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.

No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado, lesão corporal e constrangimento ilegal, e seu amigo, três anos de reclusão por cárcere privado. Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio e Bola serão levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson também irão a júri popular, mas por sequestro e cárcere privado. Além disso, a juíza decidiu pela revogação da prisão preventiva dos quatro. Flávio, que já havia sido libertado após ser excluído do pedido de MP para levar os réus a júri popular, foi absolvido. Além disso, nenhum deles responderá pelo crime de corrupção de menores.

Terra
  1. A noiva do ex-goleiro do Flamengo Bruno deixa a Divisão Especial de Operações Especiais (Deoesp) após prestar depoimento

    Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

  2. A dentista negou envolvimento em suposto plano para matar 5 pessoas

    Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

  3. Ingrid foi intimada após ter o nome citado pelo detento Jailson Oliveira, que ficou um período preso na mesma cela do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola

    Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

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