- Ney Rubens
- Direto de Belo Horizonte
A Secretaria Municipal de Saúde e a Polícia Civil em Teófilo Otoni (MG) investigam a 10ª morte que teria sido provocada por um medicamento manipulado no laboratório Fórmula Pharma, que funcionava no município. A paciente era uma aposentada de 72 anos moradora da cidade e que morreu no dia 22 de novembro.
Há a suspeita de que tenha havido uma troca na substância utilizada no medicamento Secnidazol 500 mg, que é aplicado normalmente no combate a verminoses. Um suposto erro na produção do medicamento fez os pacientes ingerirem a mesma quantidade de um remédio para controlar a pressão arterial. A dose teria sido 40 vezes superior à indicada no tratamento para a hipertensão. Duas pessoas que tomaram o medicamento ainda estão internadas no Hospital Santa Rosália, em Teófilo Otoni.
Na quarta-feira prestaram depoimento o dono do laboratório, Ricardo Portilho, a farmacêutica Anne Pinheiro Nascimento e o gerente Lucas Rodrigues. A delegada Herta Coimbra, que investiga o caso, não quis revelar o teor dos depoimentos, mas afirmou que os responsáveis pela manipulação dos medicamentos podem responder por homicídio culposo (quando não há a intenção de matar), lesões corporais graves e também tráfico de drogas, já que o laboratório Fórmula Pharma não tem autorização da Vigilância Sanitária para produzir medicamento em larga escala, o que já foi comprovado com as apreensões realizadas.
Também na quarta-feira uma equipe da Polícia Civil voltou ao laboratório e apreendeu três computadores, receitas médicas, um caderno com nomes de pacientes que compraram o medicamento e vários comprimidos, chamados de psicotrópicos, que não deveriam estar sendo comercializados pela empresa.
O lote que teria causado as mortes tinha 180 cápsulas. Apenas 76 foram recolhidas até agora. A Secretaria de Saúde alerta para que a população não tome qualquer medicamento produzido pela Fórmula Pharma.
Outras duas farmácias de manipulação que funcionam na região foram interditadas pela Vigilância Sanitária. Elas ficam na cidade de Itambacuri, a 30 km de Teófilo Otoni, e estariam produzindo medicamentos em larga escala, o que é proibido.
- Especial para Terra


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