- Ney Rubens
- Direto de Belo Horizonte
A delegada Herta Coimbra, da delegacia de Teófilo Otoni (MG), informou que o proprietário e o bioquímico da farmácia e laboratório Fórmula Pharma, que funcionava no município, "podem responder a processo criminal por homicídio culposo" - quando não há intenção de matar - caso seja confirmado erro na manipulação no medicamento Secnidazol 500 mg, utilizado como parasitário, e que teria causado a morte de oito pessoas.
Os responsáveis pela farmácia e pelo laboratório também podem ser processados "por lesões corporais graves, já que duas pessoas ainda estão internadas" no Hospital Santa Rosália. Herta disse que pediu a exumação dos corpos das vítimas. As vísceras serão encaminhadas para o Instituto Médico Legal, em Belo Horizonte, onde serão necropsiadas a fim de seja descoberta a causa dos óbitos.
Em Belo Horizonte, a Secretaria Estadual de Saúde (SES-MG) informou que a Fórmula Pharma já havia sido notificada por outras irregularidades, entre elas a fabricação e a distribuição de medicamentos em grande escala, o que não é permitido a uma farmácia de manipulação, que pode produzir apenas pequenas doses a partir de receitas médicas.
A farmácia já foi inspecionada por técnicos das secretarias estadual e municipal de Saúde duas vezes, a última no sábado, quando o local foi lacrado definitivamente até que o resultado dos testes seja divulgado. Na visita ficou constatado, segundo a SES-MG, que o laboratório continuou a venda de medicamentos manipulados mesmo depois da inspeção feita em 1º de dezembro.
Um boletim de ocorrência policial foi registrado e foram coletadas amostras do produto final e das matérias-primas utilizados na fabricação do medicamento Secnidazol 500 mg. Todo o material foi encaminhado para o Instituto Otávio Magalhães, da Fundação Ezequiel Dias em Belo Horizonte.
Na inspeção foi constatada ainda, de acordo com relatórios emitidos pelo próprio laboratório, a manipulação de 180 cápsulas do medicamento Secnidazol 500 mg no dia 14 de novembro. A secretaria investiga "a possibilidade de contaminação cruzada por outro medicamento manipulado nessa mesma data. Outra suspeita é que na fórmula do Secnidazol 500 mg, medicamento antiparasitário, tenha sido utilizado anti-hipertensivo".
A delegada Herta Coimbra disse que o proprietário da Fórmula Pharma já havia se apresentado à delegacia e estava à disposição da Polícia Civil para prestar novo depoimento ainda esta semana. "Ele disse que a farmácia seguiu todos os procedimentos padrões e técnicos na manipulação do medicamento."
- Especial para Terra


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