O voo 1907 da Gol, que fazia a rota Manaus-Rio de Janeiro, caiu no norte do Mato Grosso e matou os 148 passageiros e 6 tripulantes
Foto: FAB/Divulgação
A Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Voo 1907 entregou na última quinta-feira as contrarrazões no processo criminal movido contra os pilotos norte-americanos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino. De acordo com a associação, os pilotos cometeram uma série de erros no comando do jato Legacy, que se chocou com o Boeing da Gol em setembro de 2006, deixando 154 mortos.
Acidente da Gol: uma tragédia improvável
O processo criminal, que corre em segunda instância no Tribunal Regional Federal (TRF) em Brasília, será encaminhado para o Ministério Público Federal (MPF) também fazer as contrarrazões e, na sequência, emitir um parecer. Após o MPF se manifestar, a ação será encaminhada ao desembargador relator Fernando da Costa Tourinho Neto, para análise do caso e posterior julgamento. A previsão é que o caso seja julgado no início de 2012.
Na primeira instância do processo, o juiz federal Murilo Mendes declarou os réus culpados e os condenou a quatro anos e quatro meses, com reversão de pena para prestação de serviços comunitários em uma entidade brasileira nos Estados Unidos. Os familiares ficaram decepcionados em relação à substituição da pena e, por meio do MPF, entraram com recursos da decisão.
O acidente
O voo 1907 da Gol, que fazia a rota Manaus-Rio de Janeiro, com escala em Brasília, caiu no norte do Mato Grosso, em 29 de setembro de 2006 e matou os 148 passageiros e seis tripulantes. O acidente ocorreu após uma colisão com um jato executivo Legacy, fabricado pela Embraer, que pousou em segurança numa base aérea no sul do Pará.
Os pilotos do Legacy, os americanos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino, são acusados de não terem acionado o Sistema de Alerta de Tráfego e Prevenção de Colisão (TCAS), equipamento responsável pelo contato entre a aeronave e as torres de transmissão. A denúncia do Ministério Público Federal, apresentada em maio de 2007, relata que o transponder do avião da Gol permaneceu ligado durante todo o voo, mas o do Legacy, a partir de um certo momento, foi desligado. O transponder é um aparelho que interage com os radares secundários do controle aéreo e com outros transponders, fornecendo informações sobre a posição e o deslocamento das aeronaves.
A sequência de erros que causou o acidente passou também por uma falha de comunicação entre controladores brasileiros e pilotos do jato, que, sem entender as instruções, teriam posto a aeronave na mesma altitude do voo da Gol, 37 mil pés. Em maio de 2007, os pilotos e quatro controladores de voo foram denunciados pelo Ministério Público Federal por crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo nacional. Os americanos foram absolvidos da acusação de negligência em dezembro de 2008, mas, em 2010 a Justiça anulou a absolvição e ordenou o reinício do julgamento.
Em maio de 2011, eles foram condenados pela Justiça de Mato Grosso a quatro anos e quatro meses de prisão em regime semiaberto por expor a perigo aeronave própria ou alheia e pelo ato ter resultado em morte. A pena, no entanto, foi convertida em prestação de serviço comunitário e proibição do exercício da profissão e seria cumprida nos Estados Unidos, onde os pilotos residem.
Em 2008, os controladores de voo Leandro José Santos de Barros e Felipe Santos dos Reis foram absolvidos sumariamente de todas as acusações pela Justiça Federal. Jomarcelo Fernandes dos Santos também foi isentado do crime, em maio de 2011. Na mesma decisão, a Justiça de Mato Grosso condenou Lucivando Tibúrcio de Alencar a prestar serviços comunitários por atentado contra a segurança do transporte aéreo.
Na Justiça Militar, a ação penal militar para apurar a responsabilidade de cinco controladores que trabalhavam no dia do acidente - quatro denunciados pelo MPF e João Batista da Silva - só foi instaurada em junho de 2008. Em outubro de 2010, quatro deles foram absolvidos - apenas Jomarcelo Fernandes dos Santos foi condenado por homicídio culposo, mas recebeu o direito de apelar em liberdade. Ele recorreu ao Superior Tribunal Militar (STM) e aguarda julgamento.
- Terra

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