inclusão de arquivo javascript

 
 

Edinho confessa em gravação que é culpado

12 de junho de 2005 20h48 atualizado em 13 de junho de 2005 às 09h43

O ex-goleiro do Santos Edson Cholbi do Nascimento, o Edinho, foi flagrado em imagens gravadas dentro do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) confessando o seu envolvimento com traficantes e dizendo que se não tivesse sido preso agora, sua pena poderia ter sido ainda maior.

"Não tenho ninguém para culpar, eu sou culpado e não tem segredo", disse Edinho na gravação, que foi veiculada com exclusividade pela Rede Record.

Nas imagens, o ex-goleiro aparece prevendo que sua pena poderia ter sido maior: "Devo agradecer a Deus que fui preso em um momento em que não tinha acontecido nada de mais. Estou preparado para enfrentar aí dois, três anos, entendeu? Eu podia ficar preso 10, 15 anos", disse.

O Terra tentou falar com a assessoria de imprensa do pai de Edinho, Pelé, mas não conseguiu contato.

A Record divulgou também trecho de gravações feitas pela polícia que comprovariam o envolvimento de Edinho com Ronaldo Duarte Barsotti, o Naldinho, apontado como líder do tráfico de drogas na Baixada Santista e também detido desde a semana passada. Na fita veiculada na TV, o filho de Pelé aparece negociando com Naldinho a compra de "brinquedos", que seriam, supostamente, armas.

"Ô, irmão... um probleminha que surgiu para mim é aqueles cheques que eu tinha de deixar na loja de brinquedos. Eu não tô conseguindo tirar talão lá no meu banco. Têm uns voador que eu preciso caçar para devolver... Tem como a gente mandar três folhas de cheque lá ou não?", diz Edinho. Na mesma gravação, Naldinho afirma para o ex-goleiro mandar segurar os cheques, adiantando que a "dívida" seria liquidada à vista.

Na sexta-feira, um policial divulgou outros trechos de conversas entre os dois. Nessas gravações, eles falam sobre a criação de uma empresa de exportação de bauxita, que seria uma espécie de trading. Naldinho reclama com Edinho sobre o problema que teve com um dos laranjas na hora de assinar o contrato.

Edinho está preso na sede do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), no Butantã, desde a última segunda-feira. Foram detidas na operação Indra 52 pessoas. Treze pessoas foram indiciadas por tráfico de drogas, entre elas, Edinho. Até agora, os advogados não entregaram à polícia o diploma de uma universidade americana que o ex-goleiro do Santos teria e que daria a ele a condição de cela especial.

Nesta segunda-feira, a 1ª Vara de Praia Grande (litoral paulista) deve se pronunciar sobre o pedido para que Edinho responda ao processo em liberdade, para o qual o Ministério Público (MP) deu parecer desfavorável na última sexta-feira, alegando que o suspeito não é apenas usuário de drogas, como tem alegado, mas comprovadamente se envolveu com o tráfico de drogas.

Neste domingo, o advogado de Pelé Luiz Carlos Telles, que também está realizando a defesa do filho do ex-craque, desqualificou o teor das escutas telefônicas usadas como prova contra seu cliente pela polícia.

Segundo Telles, as gravações não comprovam a participação de Edinho com atividades ligadas ao tráfico de entorpecentes, apenas revelam a negociação de veículos (Naldinho é proprietário de revenda de carros). Telles também pediu que a imprensa "alivie" na cobertura do caso, em respeito a Pelé.

A edição desta segunda-feira do jornal O Estado de S.Paulo informou que Telles revelou no domingo os reveses de Edinho na cadeia, uma semana sem consumir maconha - droga na qual o ex-santista diz ser viciado. O defensor disse, de acordo com o jornal, que Edinho está passando por "alguns transtornos" decorrentes da crise de abstinência.

O filho de Pelé é o único dos 13 presos na Operação Indra a permanecer na sede do Denarc, onde ocupa uma sala com televisão e dorme em um sofá. De acordo com o diretor do Denarc, Ivaney Cayres de Souza, a transferência do suspeito para o sistema prisional de São Paulo ainda não ocorreu porque não há vagas.

O normal é que os detentos sejam deslocados do Denarc para um presídio até a conclusão do flagrante e sua entrega à Justiça - o que ocorreu na última sexta-feira.

Os privilégios de Edinho, que recebe comida no prédio por meio de advogados ou motoboys, já constrange policiais e funcionários do Denarc.

Redação Terra