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Advogado confirma: gravação na ECT foi encomendada

12 de junho de 2005 21h15 atualizado em 13 de junho de 2005 às 06h29

O bacharel em direito Joel Santos Filho, em depoimento prestado à Polícia Federal neste domingo, confirmou que realizou a pedido do empresário brasiliense Arthur Washeck Neto, um dos donos da Comam Comercial Alvorada de Manufaturados Ltda., a gravação que flagra o ex-chefe de departamento dos Correios Maurício Marinho pedindo propina. Filho também reafirmou ter recebido R$ 5 mil de Washeck pelo trabalho, que seria usado para denunciar Marinho ao diretor de administração da estatal, Antônio Osório.

  • Depoimento de advogado à PF dura mais de 7 horas

    Santos Filho disse que é ele quem aparece na fita conversando com Marinho. De acordo com o bacharel, a gravação tinha por objetivo investigar e denunciar o ex-funcionário, que estaria dificultando a participação da empresa de Washeck em concorrências de licitação porque beneficiava apadrinhados.

    O advogado, cujo registro na OAB está suspenso devido a denúncias de irregularidades em Curitiba, também afirmou que conheceu o militar da reserva da Marinha Arlindo Gerardo Molina em um churrasco na casa de Washeck Neto. De acordo com o delegado da Polícia Federal Luiz Flávio Zampronha, Joel disse que Molina teria ido, juntamente com um assessor de um parlamentar, ao gabinete do presidente do PTB, o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), citado por Marinho como chefe do suposto esquema de propinas nos Correios.

    O Procurador da República Bruno Acioli afirmou que Jefferson disse, em depoimento, que Molina o teria procurado em seu gabinete para falar sobre a gravação e sobre negócios nos Correios.

    O advogado de Roberto Jefferson entrou em contato com o delegado Luiz Flávio Zampronha e afirmou que o deputado só vai prestar depoimento à Polícia Federal depois que ele falar à Comissão de Ética e à Comissão de Sindicância da Câmara dos Deputados - o que deve acontecer na próxima terça-feira.

    Segundo o procurador Bruno Acioli, alguns dos envolvidos - Molina, o ex-integrante do Serviço Nacional de Informação, José Fortuna Neves, e o próprio Joel - terão o pedido de prisão temporária renovado. "Temos que fazer acareação e conferir o padrão de voz de Joel para confirmar se era ele mesmo que estava na gravação", afirmou o procurador.

    No depoimento que durou mais de sete horas, Joel Santos Filho confirmou que Arthur Washeck o contratou por R$ 5 mil para fazer a gravação que revelou um suposto esquema de corrupção na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT).

    "Jornalista" na verdade era ex-araponga
    Na noite deste domingo, a Polícia Federal também ouviu Jairo de Souza Martins, que e forneceu a maleta equipada com câmera para que Joel dos Santos Filho e João Carlos Mancuso flagrassem a ação de Marinho. De acordo com o jornal O Globo, Martins se diz jornalista mas, na verdade, é cabo da Polícia Militar do Distrito Federal e já trabalhou para o extinto Serviço Nacional de Informações (SNI) e para Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

    Souza também foi o responsável por entregar o vídeo para a revista Veja. A maleta foi apreendida pela PF. José Fortuna Neves e Arlindo Molina devem prestar depoimento na segunda-feira.

  • Redação Terra