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 Lupi minimiza pressão por saída: 'só Jesus é unanimidade'
17 de novembro de 2011 13h34 atualizado às 17h10

'Só Jesus Cristo é unanimidade', diz Ministro do Trabalho

Laryssa Borges
Direto de Brasília

Em depoimento na Comissão de Assuntos Sociais do Senado nesta quinta-feira, o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi (PDT), minimizou a pressão de setores do seu próprio partido para que deixe o cargo e disse que sua permanência no primeiro escalão do governo federal depende exclusivamente da presidente Dilma Rousseff. Após a divulgação de que viajara ao Maranhão a bordo de um avião providenciado pelo diretor de uma ONG que detém contratos milionários com o Ministério do Trabalho, Lupi chegou a dizer que só deixaria a pasta "abatido à bala".

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Na manhã de hoje no Senado o ministro ouviu dos senadores pedetistas Pedro Taques (MT) e Cristovam Buarque (DF) o apelo para que deixasse a Esplanada dos Ministérios e para que o PDT desembarcasse do primeiro escalão do governo federal.

"O nosso partido é um partido democrático. Nós debatemos. Não tem ninguém impondo nada a ninguém. Sou amigo pessoal do senador Pedro Taques, fui eu que o filiei ao PDT, sou amigo pessoal do senador Cristovam. O partido é democrático, democracia é assim. Só Jesus Cristo é unanimidade", comentou ele, que adotou um tom moderado durante toda a audiência.

Mais cedo, ao rebater críticas à sua gestão no Ministério do Trabalho, Carlos Lupi apelou à tese de que "forças reacionárias" querem derrubá-lo da pasta "no tapetão". "(Existem) Forças reacionárias que aproveitam possíveis falhas e possíveis erros para nos fazer dividir. Estamos na causa certa, do lado certo e, mais, no lado que tem representado a base essencial da história do trabalhismo", argumentou o ministro. "A nossa presença no governo é a afirmação da nossa causa. Estamos ganhando antagonismos, forças grandiosas que são contra o que a gente pensa porque estamos defendendo essa causa."

Durante o depoimento que prestou aos senadores, Lupi também afirmou que a presidente Dilma Rousseff pediu que ele continuasse como auxiliar do governo federal. Ele, que foi prestar explicações diretas à presidente na quarta-feira, se negou a comentar no Senado o teor da conversa, mas resumiu: "lealdade tem que ser a marca e o princípio do ser humano. (Na conversa com a presidente) Tem que se guardar a confiança recíproca. Só vou me limitar a dizer que ela pediu para que eu continuasse".

Lupi retornou ao Senado após a divulgação de que ele teria mentido ao negar que viajara ao Maranhão a bordo de um avião providenciado pelo diretor de uma ONG que detém contratos milionários com o Ministério do Trabalho. A aeronave para que o ministro cumprisse agenda oficial em sete municípios maranhenses teria sido providenciada por Adair Meira, que controla ONGs com contratos de cerca de R$ 14 milhões com a pasta.

A mistura de interesses públicos e privados, como caronas fornecidas por empresários, é proibida pelo Código da Alta Administração Pública Federal, que reúne um conjunto de condutas éticas esperadas de agentes públicos. Aos senadores, Lupi disse que não tem "relação pessoal" com Meira.

Terra
  1. Ministro Carlos Lupi fala à Comissão de Assuntos Sociais do Senado sobre as denúncias de irregularidades na pasta

    Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

  2. Ministro do Trabalho chega ao Senado para falar sobre as denúncias

    Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

  3. Segundo revista, Lupi teria usado um avião pago por empresário beneficiado por convênios do ministério

    Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

  4. Lupi deve tentar esclarecer novas denúncias divulgadas pela imprensa

    Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

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