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 Professores da USP decidem apoiar alunos, mas descartam greve
09 de novembro de 2011 22h00 atualizado às 22h12

A greve dos estudantes foi decidida após votação em assembleia. Foto: Diogo Moreira/Futura Press

A greve dos estudantes foi decidida após votação em assembleia
Foto: Diogo Moreira/Futura Press

A Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp) decidiu nesta quarta-feira, em assembleia, apoiar os alunos em ato contra a presença da Polícia Militar no campus da instituição, mas descartou aderir à greve convocada pelos estudantes, após a ação da PM na terça-feira na reintegração de posse do prédio da reitoria, que havia sido ocupado por alunos. De acordo com a Adusp, a greve chegou a ser proposta durante a assembleia, mas foi rejeitada pela maioria dos membros.

A associação vai ajudar a organizar a manifestação do Diretório Central de Estudantes (DCE), marcada para amanhã às 14h no Largo São Francisco. Os professores também aprovaram pedir uma audiência com o reitor da USP para discutir a presença da polícia no espaço universitário - a Adusp afirma que o convênio firmado após a morte de um estudante no campus Butantã, em maio, durante uma tentativa de assalto, não é a solução para aumentar a segurança no local. Os docentes pedirão, ainda, uma reunião com o governador Geraldo Alckmin (PSDB).

A reitoria da universidade disse, em nota, que as aulas de graduação e pós-graduação transcorriam normalmente e que os funcionários da reitoria devem voltar na quinta-feira a trabalhar no prédio que estava ocupado. Ainda de acordo com a reitoria, estão sendo contabilizados os danos patrimoniais provocados pela invasão dos alunos e comissões serão instauradas para tomar as devidas providências legais contra os responsáveis. Estudantes que ocuparam a reitoria negam ter danificado equipamentos e instalações.

Reintegração de posse
A PM mobilizou um efetivo de 400 homens da tropa de choque, da cavalaria e até mesmo do grupamento aéreo (Águia) para o cumprimento de mandado judicial de desocupação da reitoria por volta das 5h de terça-feira, horário escolhido para surpreender os ocupantes do prédio. O prazo para a saída espontânea dos manifestantes do local havia se esgotado às 23h de segunda-feira, após trégua negociada com a Justiça. Descontentes com as propostas da administração da USP, que aceita rever, mas descarta revogar o convênio com a PM, os estudantes e funcionários decidiram prolongar a ocupação, mas não resistiram à operação de reintegração de posse, preferindo empunhar flores em protesto irônico diante do forte aparato policial. Mais de 70 foram presos, mas liberados.

A tomada da reitoria foi levada a cabo por parte de um grupo insatisfeito com o resultado de uma votação em assembleia que decidiu, na terça-feira da semana passada, por 559 votos a 458, encerrar a ocupação do prédio de administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). O grupo deslocou o portão de trás do edifício da Administração Central, usando paus, pedras e cavaletes, e em poucos minutos chegou ao saguão principal do prédio. A FFLCH havia sido ocupada depois que a PM abordou três estudantes no campus por porte de maconha na quinta-feira da semana retrasada e tentou levar os usuários detidos. Os policiais usaram gás lacrimogênio, e alunos teriam ficado feridos após confronto.

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