Notícias » Brasil » Brasil

 Calendário da USP é mantido, apesar da greve dos estudantes
09 de novembro de 2011 18h28

As aulas na Universidade de São Paulo (USP) não foram paralisadas, apesar da greve convocada pelos estudantes, que começou nesta quarta-feira. A reitoria afirmou, por meio de nota, que o calendário de atividades está mantido e, somente em alguns cursos, como Letras, as salas de aula ficaram vazias. A greve dos estudantes, decidida em assembleia, foi convocada em protesto contra a ação da Polícia Militar (PM) na reintegração de posse do prédio da reitoria, ocupado por um grupo de alunos.

Estão programadas para esta quarta-feira assembleias por departamentos para definir se os alunos vão acatar a decisão da assembleia geral. O diretor do Diretório Central dos Estudantes Livre da USP, João Vitor Panesi, espera que elas sirvam também para informar os estudantes sobre as reivindicações dos alunos que ocuparam a reitoria. Os professores da USP também se reúnem nesta tarde para decidir se aderem à greve.

A reitoria da universidade disse, em nota, que as aulas de graduação e pós-graduação transcorrem normalmente e que os funcionários da reitoria devem voltar amanhã a trabalhar no prédio que estava ocupado. A PM mantém o patrulhamento reforçado na Cidade Universitária, zona oeste da capital paulista. No fim da manhã, 14 carros da Força Tática estavam estacionados em frente à reitoria. Ainda de acordo com a reitoria, estão sendo contabilizados os danos patrimoniais provocados pela invasão dos alunos e comissões serão instauradas para tomar as devidas providências legais contra os responsáveis. Estudantes que ocuparam a reitoria negam ter danificado equipamentos e instalações.

Reintegração de posse
A PM mobilizou um efetivo de 400 homens da tropa de choque, da cavalaria e até mesmo do grupamento aéreo (Águia) para o cumprimento de mandado judicial de desocupação da reitoria por volta das 5h de terça-feira, horário escolhido para surpreender os ocupantes do prédio. O prazo para a saída espontânea dos manifestantes do local havia se esgotado às 23h de segunda-feira, após trégua negociada com a Justiça. Descontentes com as propostas da administração da USP, que aceita rever, mas descarta revogar o convênio com a PM, os estudantes e funcionários decidiram prolongar a ocupação, mas não resistiram à operação de reintegração de posse, preferindo empunhar flores em protesto irônico diante do forte aparato policial. As dezenas de presos, segundo a PM, incluem suspeitos de depredação do patrimônio público e indivíduos que resistiram à operação.

A tomada da reitoria foi levada a cabo por parte de um grupo insatisfeito com o resultado de uma votação em assembleia que decidiu, na terça-feira da semana passada, por 559 votos a 458, encerrar a ocupação do prédio de administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). O grupo deslocou o portão de trás do edifício da Administração Central, usando paus, pedras e cavaletes, e em poucos minutos chegou ao saguão principal do prédio. A FFLCH havia sido ocupada depois que a PM abordou três estudantes no campus por porte de maconha na quinta-feira da semana retrasada e tentou levar os usuários detidos. Os policiais usaram gás lacrimogênio, e alunos teriam ficado feridos após confronto.

Agência Brasil