As aulas na Universidade de São Paulo (USP) não foram paralisadas, apesar da greve convocada pelos estudantes, que começou nesta quarta-feira. A reitoria afirmou, por meio de nota, que o calendário de atividades está mantido e, somente em alguns cursos, como Letras, as salas de aula ficaram vazias. A greve dos estudantes, decidida em assembleia, foi convocada em protesto contra a ação da Polícia Militar (PM) na reintegração de posse do prédio da reitoria, ocupado por um grupo de alunos.
Estão programadas para esta quarta-feira assembleias por departamentos para definir se os alunos vão acatar a decisão da assembleia geral. O diretor do Diretório Central dos Estudantes Livre da USP, João Vitor Panesi, espera que elas sirvam também para informar os estudantes sobre as reivindicações dos alunos que ocuparam a reitoria. Os professores da USP também se reúnem nesta tarde para decidir se aderem à greve.
A reitoria da universidade disse, em nota, que as aulas de graduação e pós-graduação transcorrem normalmente e que os funcionários da reitoria devem voltar amanhã a trabalhar no prédio que estava ocupado. A PM mantém o patrulhamento reforçado na Cidade Universitária, zona oeste da capital paulista. No fim da manhã, 14 carros da Força Tática estavam estacionados em frente à reitoria. Ainda de acordo com a reitoria, estão sendo contabilizados os danos patrimoniais provocados pela invasão dos alunos e comissões serão instauradas para tomar as devidas providências legais contra os responsáveis. Estudantes que ocuparam a reitoria negam ter danificado equipamentos e instalações.
Reintegração de posse
A PM mobilizou um efetivo de 400 homens da tropa de choque, da cavalaria e até mesmo do grupamento aéreo (Águia) para o cumprimento de mandado judicial de desocupação da reitoria por volta das 5h de terça-feira, horário escolhido para surpreender os ocupantes do prédio. O prazo para a saída espontânea dos manifestantes do local havia se esgotado às 23h de segunda-feira, após trégua negociada com a Justiça. Descontentes com as propostas da administração da USP, que aceita rever, mas descarta revogar o convênio com a PM, os estudantes e funcionários decidiram prolongar a ocupação, mas não resistiram à operação de reintegração de posse, preferindo empunhar flores em protesto irônico diante do forte aparato policial. As dezenas de presos, segundo a PM, incluem suspeitos de depredação do patrimônio público e indivíduos que resistiram à operação.
A tomada da reitoria foi levada a cabo por parte de um grupo insatisfeito com o resultado de uma votação em assembleia que decidiu, na terça-feira da semana passada, por 559 votos a 458, encerrar a ocupação do prédio de administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). O grupo deslocou o portão de trás do edifício da Administração Central, usando paus, pedras e cavaletes, e em poucos minutos chegou ao saguão principal do prédio. A FFLCH havia sido ocupada depois que a PM abordou três estudantes no campus por porte de maconha na quinta-feira da semana retrasada e tentou levar os usuários detidos. Os policiais usaram gás lacrimogênio, e alunos teriam ficado feridos após confronto.
- Agência Brasil





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