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Elias Maluco pega 28 anos pela morte de Tim Lopes

25 de maio de 2005 05h37 atualizado às 05h37

Após cerca de 16 horas de julgamento no Primeiro Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, o traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, foi condenado pelo juiz Fábio Uchoa, na madrugada desta quarta-feira, a um total de 28 anos e seis meses de prisão, em regime fechado, pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, ocultação do cadáver e formação de quadrilha, referentes ao assassinato do jornalista Tim Lopes, em junho de 2002, na Vila Cruzeiro, na Penha (RJ).

A maioria dos sete jurados considerou o traficante culpado das três acusações, apesar da estratégia da defesa, que tentou desqualificar os testemunhos apresentados pela promotoria. O advogado do acusado, Célio Maciel, recorreu da sentença ainda em plenário.

Ainda na manhã desta quarta-feira, Elias Maluco será levado, sob forte escolta policial, de volta ao presídio Bangu I, onde estava desde sua prisão. Durante quase toda a sessão, o acusado se manteve de cabeça baixa e se recusou a responder às perguntas. Se manifestou apenas quando foi perguntado sobre sua ocupação profissional, respondendo que trabalha como "pintor de autos"

A divulgação da pena foi mais rápida que o esperado devido ao desmembramento do processo, o que adiou para o dia 14 de junho o julgamento dos outros seis réus denunciados no caso. Também colaborou para a rapidez a dispensa de cinco testemunhas de defesa, a pedido dos advogados do traficante.

O jornalista Tim Lopes, gaúcho de nascimento, mas criado no Rio de Janeiro, foi assassinado quando fazia uma série de reportagens investigativa para a TV Globo, sobre bailes funk financiados pelos traficantes, na favela da Vila Cruzeiro, na Penha, quando desapareceu, em 2 de junho de 2002. Ele também era o autor da reportagem sobre o Feirão das Drogas nos morros cariocas, entre eles, o do Complexo do Alemão, em Ramos, veiculada em agosto de 2001.

Segundo testemunhas, Tim teria sido torturado e assassinado por ordem de Elias Maluco. Logo após a morte, seu corpo foi esquartejado e incinerado, a fim de dificultar a identificação, que foi possível somente após a realização de exame de DNA. Elias Maluco é considerado um dos líderes do grupo criminoso Comando Vermelho.

Serão julgados posteriormente os réus Anderson Souza de Paula, o Ratinho; Elizeu Felício de Souza, o Zeu; Ângelo Ferreira da Silva, o Primo; Reinaldo Amaral de Jesus, o Kadê ou Cabê; Fernando Sátyro da Silva, o Frei; e Claudino dos Santos Coelho, o Xuxa.

Redação Terra