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 Apenas 5% das cidades de SP têm ajuda estadual para combater crack
20 de setembro de 2011 16h23 atualizado às 16h29

Ricardo F. Santos
Direto de São Paulo

Apesar do alto poder de devastação do crack e de substâncias semelhantes, apenas 12% dos municípios do Estado de São Paulo recebem ajuda financeira federal para combater entorpecentes. Quando se trata de verba do governo estadual, o cenário piora: somente 5% contam com o incentivo. A informação é de um levantamento inédito realizado pela Frente Parlamentar de Combate ao Crack e Outras Drogas, apresentado na manhã desta terça-feira na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

As perguntas feitas pelos parlamentares foram respondidas por 325 dos 645 municípios do Estado, que concentram 76% dos paulistas. O levantamento concluiu que o avanço mais veloz da droga se deu nas cidades com população entre 50 mil e 100 mil habitantes. Em 38% delas, a gestão municipal declarou que o crack é a substância que mais preocupa. Desse grupo de cidades, apenas 1% recebe auxílio do governo estadual, e 6% tem ajuda federal.

De acordo com o coordenador da Frente, deputado Donisete Braga (PT), a comissão parlamentar conseguiu, até agora, duas vitórias para melhorar o combate às drogas. "Nossa primeira ação efetiva foi convencer o governo federal a elevar de R$ 57 para R$ 200 a diária dos leitos (do Sistema Único de Saúde) existentes para dependentes de crack", explicou. No entanto, o próprio deputado reconhece que os leitos existentes são poucos. "Temos pouco mais de 300 leitos no Estado, ou seja, menos de um por município."

A segunda ação efetiva foi conseguir o reconhecimento, junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), das comunidades terapêuticas, reconhecidas pelos parlamentares como efetiva no combate à dependência do crack. "Com isso, elas poderão agora receber verbas federais", afirmou Braga.

A Frente Parlamentar pretende ainda conseguir duas alterações nas verbas destinadas ao combate às drogas: dobrar, para R$ 100 milhões por ano, a verba do Plano Plurianual do Governo do Estado para o período de 2012 a 2015; e aumentar o investimento específico na área no Orçamento estadual de 2012.

"Os municípios não têm recursos para isso (combater as drogas)", afirmou o deputado estadual Orlando Bolçone (PSB-SP), membro da Frente. "Entendemos que precisamos, ainda esse ano, ter ferramentas para criar políticas de prevenção." Bolçone ainda criticou o que chama de "ausência de integração entre os órgãos federais, estaduais e municipais" no combate ao crack. Segundo ele, "além dos recursos se perderem, não há consenso quanto à forma de tratamento".

De acordo com o coordenador da Frente, as informações compiladas pelo levantamento são o primeiro passo para melhor fiscalizar e acompanhar o uso da droga no Estado, e definir ações de erradicação. A discussão se integra aos esforços do governo federal, que deve lançar, na primeira semana de outubro, um programa nacional de combate ao crack e outras drogas.

Terra