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 Após absolvição, Jaqueline tem 15 dias para se defender no STF
02 de setembro de 2011 15h54 atualizado às 16h18

Jaqueline Roriz foi absolvida no processo de cassação na Câmara. Foto: Luiz Xavier/Agência Câmara

Jaqueline Roriz foi absolvida no processo de cassação na Câmara
Foto: Luiz Xavier/Agência Câmara

Laryssa Borges
Direto de Brasília

Após ter sido absolvida no processo de quebra de decoro parlamentar na Câmara, a deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF) terá 15 dias para apresentar sua defesa no inquérito que tramita contra ela no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Joaquim Barbosa, relator do caso, determinou a notificação da parlamentar para que ela se manifeste sobre a denúncia oferecida contra ela pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

De acordo com o chefe do Ministério Público, a filha do ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz teria praticado o crime de peculato, classificado quando um servidor público se utiliza de sua função para conseguir benefícios. A deputada foi flagrada recebendo suposta propina do ex-secretário de Relações Institucionais do DF Durval Barbosa, delator do esquema conhecido como mensalão do DEM. O vídeo em que aparece recebendo dinheiro de Barbosa foi feito em 2006 - antes, portanto, no início de seu mandato atual e época em que concorria a uma cadeira na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

O esquema conhecido como mensalão do DEM foi divulgado pela Polícia Federal (PF) em 2009 durante a Operação Caixa de Pandora. Conforme as investigações, o então governador do DF, José Roberto Arruda, na época filiado ao DEM, coordenava fraudes em licitações públicas e superfaturamento de preços, para desviar recursos para propinas, enriquecimento ilícito, financiamento de campanha e aliciamento de parlamentares na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Para o procurador-geral, Jaqueline, na condição de candidata a deputada distrital, recebeu "maços de dinheiro das mãos de Durval Barbosa a mando de José Roberto Arruda (ex-governador do DF), como retribuição pelos favores políticos feitos pela então candidata".

Na última terça-feira, com placar de 265 votos a 166, Jaqueline Roriz se livrou do processo de cassação a que respondia na Casa. A votação foi secreta. Para que fosse cassada era preciso que houvesse no mínimo 257 votos favoráveis entre os 513 deputados.

A própria deputada não acompanhou toda a votação, deixando o Congresso Nacional pouco antes das 20h. Em seu favor, apesar de um quórum de 451 votantes, 20 deputados se abstiveram de votar. Entre eles a deputada Fátima Pelaes (PMDB-AP), citada recentemente em suspeitas de desvio de recursos de um convênio no Ministério do Turismo, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e réu no processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), João Paulo Cunha (PT-SP) e o próprio corregedor da Casa, Eduardo da Fonte (PP-PE).

O mensalão do DEM
O chamado mensalão do DEM, cujos vídeos foram divulgados no final de 2009, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.

O então governador José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em sua defesa, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados". Em meio ao escândalo, ele deixou o Democratas.

As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.

Acusado de tentar subornar o jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Sombra, testemunha do caso, Arruda foi preso preventivamente em fevereiro de 2010, por determinação do Superior Tribunal de Justiça, que ainda o afastou do cargo de governador. Ele ficou preso por dois meses e, neste período, teve o mandato cassado por desfiliação partidária.

Terra