Acompanhados do advogado da família (centro), os pais de Flávia Anay de Lima falaram à imprensa sobre a morte da filha
Foto: Reinaldo Marques/Terra
- Mauricio Tonetto
Enquanto aguarda as investigações sobre a morte da namorada Flávia Anay de Lima, 16 anos, o jogador da Portuguesa Rafael Silva está com a família em uma cidade próxima a São Paulo, evitando o contato com a imprensa e outras pessoas. Orientado pelo clube a repousar e silenciar, ele deseja voltar logo aos treinos para dar continuidade à carreira. "O psicológico está sendo trabalhado para ele se recuperar o mais rápido possível. Assim que o Departamento Médico da Portuguesa liberá-lo, o que deve ocorrer em dez dias, ele volta aos treinos", afirmou o advogado do atacante, Giuseppe Cláudio Fagotti.
Conforme Giuseppe, o atleta "não está em condições nem de falar". Após ouvir os familiares da jovem, que morreu no último domingo ao supostamente cair do 15º andar de um prédio em São Paulo, o advogado disse ter convicção de que a morte foi uma fatalidade. À polícia, Rafael alegou suicídio, mas os pais da menina o acusam de homicídio. "A gente respeita o que a família está pensando e falando, mas temos plena conviccção de que foi um acidente. Conhecemos ele há nove anos, é um menino centrado, de índole. A gente conhece onde está pisando", ressaltou Giuseppe.
Ontem, o advogado criminalista Ademar Gomes, contratado pelos pais da vítima, afirmou que "para a família, foi homicídio. Acompanhando o inquérito, constatei que a Flávia era agredida constantemente pelo jogador. Eles (pais) me relataram isso". De acordo com o registro policial, ambos teriam iniciado uma discussão em um bar e a briga seguiu no interior do apartamento. O jogador contou aos policiais que a namorada era bastante ciumenta e que, por várias vezes, teria dito que se suicidaria caso ele a deixasse.
Segundo Rafael Silva, a namorada tentou se atirar pela janela de um dos quartos, mas foi segurada por ele. Em seguida, com parte da roupa rasgada, ela teria corrido até a sacada e de lá caiu de uma altura de cerca de 50 m. O corpo de Flávia foi enterrado na tarde desta segunda-feira em Santo André, na Grande São Paulo. Testemunhas ouvidas pela polícia disseram que, durante a discussão, praticamente só se ouvia a voz da moça.
Durante o depoimento no 10º Distrito Policial (Penha), Rafael chorou várias vezes e se apresentava em estado de choque. Por conta disso, a oitiva teve ser interrompida várias vezes. Ele também tinha um ferimento na cabeça, que teria sido provocado por uma pequena caixa de som que a namorada teria atirado contra ele.
Revelado nas categorias de base da Portuguesa, Rafael Silva, que nasceu em Feira de Santana (BA), vinha se recuperando de um problema na retina, que ocorreu durante um treinamento. Ele estava para ser reintegrado ao grupo como opção de ataque para o técnico Jorginho.
Técnico espera volta por cima
Após a vitória da Portuguesa ontem sobre o Criciúma, por 2 a 0, pela Série B do Campeonato Brasileiro, o técnico Jorginho classificou a morte da namorada de Rafael Silva como "tragédia" e disse esperar uma "volta por cima" do atleta, considerado por ele um "menino carente". A declaração foi feita durante rápida coletiva de imprensa, quase meia hora depois do fim da partida.
"O Rafael tem idade para ser meu filho. É um menino carente e está tentando ser um atleta de futebol. Ele tem potencial e esperamos que ele tenha força para se reerguer depois de toda a tragédia que está acontecendo na vida dele. Não podemos pesar a dificuldade nem a felicidade que o outro passa. Mas espero que ele seja forte e que consiga dar a volta por cima. Tanto a família dele quanto a família dela", afirmou Jorginho.
Único representante do time a participar da coletiva, o técnico lembrou ainda a assistência que a diretoria da Portuguesa está oferecendo ao jogador no momento. "Agradeço a Portuguesa que está dando toda a condição para ele, jurídica, médica, psicológica".
- Terra














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