Luana e uma amiga teriam desaparecido em 9 de maio
Foto: Reprodução
A Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro está investigando o desaparecimento das jovens Luana Rodrigues, 20 anos, e sua amiga identificada apenas como Andressa, disse o delegado Felipe Ettore nesta quinta-feira. Elas sumiram na Favela da Rocinha, no ultimo dia 9, e moradores da região contam que ambas teriam sido executadas a mando do traficante Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, por suspeitar que elas estivessem namorando policiais.
"Todas as hipóteses estão sendo investigadas inicialmente, mas começamos agora o trabalho, já que o procedimento em que consta o desaparecimento dela, registrado na 15º DP (Gávea), só chegou hoje. Estamos em buscas de informações sobre o que aconteceu com a Luana e com essa amiga, apesar de, até agora, não haver qualquer registro de desaparecimento dessa Andressa", disse o delegado. A central do Disque Denúncia informou às 13h que recebeu uma informação a respeito do desaparecimento das jovens.
Sem esperanças
A família de Luana já não tem esperanças de encontrá-la viva e, ontem, celebrou uma missa de sétimo dia na Paróquia de São Conrado, na região metropolitana do Rio. A família, que se recusa a falar sobre o caso, deverá depor.
A modelo Luana saiu de casa, na Estrada das Canoas, em São Conrado, por volta das 14h de 9 de maio, vestindo short jeans, blusa creme e sandálias de dedo. Ela foi à vizinha Favela da Rocinha levando apenas o celular, e jamais voltou.
A cerimônia de quarta-feira foi chamada de Missa da Esperança Cristã pelos Fiéis Defuntos. "Em oração por nossa irmã falecida Luana, que marcou nossas vidas com sua presença. Nosso encontro aqui é a prova da vitória em Cristo", disse o padre, se referindo diversas vezes a Luana como morta.
Após a missa, durante 45 minutos os pais receberam os abraços dos cerca de 70 amigos que estiveram presentes, mas mal conseguiam falar. Num abraço final, o pai, Miraldo, desabafou: "Nada vai trazer minha filha de volta."
Comoção
A notícia da morte de Luana e da amiga Andressa causou comoção entre moradores da Rocinha e da Estrada das Canoas, onde Luana nasceu e foi criada. Seu pai é vice-presidente da associação de moradores do local.
De acordo com amigos das vítimas e moradores da Rocinha, as duas meninas teriam sido mortas no dia 11. Depois, tiveram seus corpos cortados, carbonizados e enterrados na mata. O motivo, ainda de acordo com os moradores revoltados, seria de um suposto relacionamento dela com um policial. "Um parente chegou a pedir pelo menos o corpo, para fazer o enterro, e os traficantes disseram para esquecer, porque não ia ter corpo", contou um amigo.
Linda, alto-astral e com perfil de líder
Amigas relatam que, "além de linda, Luana era muito alto astral". Mãe de um menino de 2 anos, ela estava sempre brincando, mas já mostrava certa liderança, como o pai, dizem. Há duas semanas, chegou a ir a encontro comunitário no 23º BPM (Leblon). "Ela ficou quieta, na dela, mas já mostrava interesse nas questões da comunidade", relatou um homem que esteve no evento.
Luana participava de concursos de modelo e de eventos na própria Rocinha. Nas festas de fim de ano, quando artistas e atletas subiam o morro para distribuir donativos na campanha Natal Sem Fome, a jovem gostava de se vestir de Mamãe Noel: "Ela estava sempre fazendo eventos, porque era muito bonita, para ganhar um dinheirinho a mais", conta um amigo.

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