Dalledone recorreu ao STJ após a Justiça mineira negar liberdade a Bruno
Foto: Alex de Jesus/Futura Press
O advogado do goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza, Cláudio Dalledone Júnior, informou nesta quarta-feira que entrou com pedido de habeas-corpus para libertar seu cliente no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo ele, o documento foi entregue na última sexta-feira e deverá ser distribuído ao ministro relator nesta semana. O ex-atleta do Flamengo está preso desde julho do ano passado e responde a processo pelo desaparecimento de Eliza Samudio, sua ex-amante.
Dalledone informou que ingressou com a solicitação no STJ devido à decisão da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que, em abril, negou habeas-corpus a Bruno. Logo após o julgamento, por três votos a zero, a defesa do goleiro disse que a negativa foi influenciada pelas "confusões" durante as fases de investigação pela polícia e instrução do processo no Tribunal do Júri em Contagem.
Em nota, Dalledone afirmou ainda não ter "qualquer interesse no caso envolvendo o engenheiro Luís Carlos Samudio", pai de Eliza Samudio, que teve prisão decretada na semana passada. Ele foi condenado em segunda instância por atentado violento ao pudor contra outra filha, na época com 11 anos. A acusação foi feita em 2003 pela mãe da menina.
A afirmação foi uma resposta ao pai de Eliza que, através da imprensa, teria dito que a sua ordem de prisão foi provocada pelo advogado de Bruno. "No entanto, um caso não tem absolutamente nada a ver com outro. Preso ou solto, Luís Carlos não interfere na defesa de Bruno Fernandes, único foco de interesse de Dalledone Júnior e sua equipe".
O caso Bruno
Eliza Samudio desapareceu no dia 4 de junho de 2010 quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite do goleiro Bruno, então jogador do Flamengo. No ano anterior, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.
No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, então com 4 meses, estava lá. A mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.
Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.
No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.
No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação de uma namorada do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.
No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado, lesão corporal e constrangimento ilegal, e seu amigo, três anos de reclusão por cárcere privado. Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio e Bola serão levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson também irão a júri popular, mas por sequestro e cárcere privado. Além disso, a juíza decidiu pela revogação da prisão preventiva dos quatro. Flávio, que já havia sido libertado após ser excluído do pedido de MP para levar os réus a júri popular, foi absolvido. Além disso, nenhum deles responderá pelo crime de corrupção de menores.
- Terra






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