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 Sujeira de Palocci não é tão ruim assim, diz pesquisador
18 de maio de 2011 17h18 atualizado às 20h13

As revelações de um aumento significativo no patrimônio pessoal do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, parecem não ter sido suficientes para tirá-lo do cargo, mesmo que possam se transformar em uma grande dor de cabeça para a presidente Dilma Rousseff. O cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília (UnB), avalia que para o ministro-chefe ser afastado "terão que trazer mais sujeira à tona". "A sujeira que encontraram não é tão ruim assim", disse.

Parlamentares da oposição buscam obter explicações sobre o crescimento do patrimônio do ministro após a publicação, no domingo, de uma reportagem no jornal Folha de S. Paulo. Segundo a matéria, o patrimônio de Palocci aumentou 20 vezes desde 2006. A reportagem não chegou a indicar algum delito por parte do ministro, que afirma que o dinheiro foi ganho legitimamente por meio da empresa de consultoria econômico-financeira Projeto.

"Se o casso chegasse a um tribunal, o juiz forçaria a divulgação das informações, mas não estou certo se chegará a esse ponto", disse Fleischer.

Segundo a Folha de S.Paulo, o ministro comprou dois imóveis por meio da empresa Projeto. Um apartamento de R$ 6,6 milhões e uma sala comercial de R$ 882 mil, em São Paulo, ambos adquiridos antes de assumir o ministério.

Palocci é visto como a voz mais forte da ortodoxia econômica no governo Dilma e defensor de uma política monetária e fiscal mais rígida para frear a pressão inflacionária que vem ameaçando a economia do País este ano.

Em 2006, Palocci também enfrentou turbulências políticas e deixou o governo após ser envolvido na denúncia de quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Sua situação ficou insustentável depois que o caseiro testemunhou em uma CPI afirmando que Palocci frequentava a chamada casa do lobby, ou República de Ribeirão Preto. A casa, em Brasília, frequentada por ex-assessores, era apontada como local de organização de lobby junto ao governo federal.

Mesmo assim, o ex-ministro se candidatou à Câmara e foi eleito. No Congresso, presidiu a Comissão Especial da Reforma Tributária. Em 2009, o Supremo Tribunal Federal livrou Palocci de processo sobre a violação. No ano passado, o ministro desistiu de concorrer à reeleição parlamentar para se dedicar à coordenação da campanha de Dilma.

Reuters
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