Notícias » Brasil » Brasil

 Um ano após tragédia no Bumba, moradores cobram benefício
06 de abril de 2011 21h35 atualizado às 21h55

Máquinas trabalham em buscas no morro do Bumba em abril de 2010. Foto: EFE

Máquinas trabalham em buscas no morro do Bumba em abril de 2010
Foto: EFE

Um ano após a tragédia que deixou 56 mortos no morro do Bumba, em Niterói, moradores de vários bairros atingidos pelas chuvas de abril de 2010 protestaram nesta quarta-feira pela falta de repasse do aluguel social e a demora na construção de casas para os desabrigados. Os manifestantes seguiram em passeata até a Câmara dos Vereadores e depois se concentraram em frente à prefeitura.

A reclamação mais frequente é a de atraso ou simplesmente o não pagamento do aluguel social, no valor de R$ 400, para quem teve a residência destruída ou interditada. "Eu tive que voltar para minha casa, que está em área de risco, porque nunca recebi um tostão da prefeitura", disse a aposentada Arlete Cordeiro, moradora do bairro Barreto.

Caso semelhante é o da também aposentada Maria Angelina Pureza, do bairro Baldeador, que precisou deixar sua casa, interditada pela Defesa Civil, e agora tem que pagar aluguel. "Nunca recebi nada da prefeitura. Pago R$ 250 de aluguel e, com o dinheiro que recebo de pensão, acabo passando fome", disse.

O presidente da Associação das Vítimas do Bumba, Francisco Ferreira de Souza, afirmou que o repasse de 3,2 mil alugueis sociais é insuficiente para atender a todas as vítimas das enchentes na cidade, que ele calcula em cerca de 10 mil no total. "Só no Bumba, tem 20 famílias que não estão recebendo o aluguel social. E muitos estão voltando - pelo atraso no repasse do dinheiro - para morar em área de risco", disse.

A prefeitura de Niterói informou, por meio de nota, que paga, desde maio do ano passado, aluguel social para 3,2 mil famílias, com recursos repassados pelo governo do Estado. Os moradores que não receberam o benefício, segundo a prefeitura, estariam com a documentação pendente, que deve ser encaminhada para o Setor de Gestão de Crise. A prefeitura informou, ainda, que o prefeito Jorge Roberto Silveira assinou um novo termo de cooperação que permitirá a continuidade no pagamento por mais nove meses.

A tragédia no Rio começou na noite de 5 de abril, quando um forte temporal - apontado como o pior desde 1967 - arrasou a região metropolitana. Na terça-feira, 6 de abril, o Rio amanheceu debaixo d'água, causando o transbordamento da lagoa Rodrigo de Freitas, a inundação de várias vias e a interdição do Cristo Redentor.

Houve mortos em soterramentos nos morros dos Prazeres, em Santa Teresa; Borel, na Tijuca; Andaraí; Cerro Corá, Cosme Velho; Macacos, em Vila Isabel. O total de mortos chegou a 257 em todo Estado. Só Niterói contabilizou 168 vítimas. O número de desabrigados ultrapassou os 11 mil, contando Rio, Niterói, São Gonçalo e Baixada.

Agência Brasil