Um dos presos da Operação Guilhotina, deflagrada nesta sexta-feira pela Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro contra policiais envolvidos com tráfico de drogas, milícias e outros crimes, foi Carlos Eduardo Nepomuceno, o Cadu), primo do traficante Marcinho VP. Ele é terceiro sargento da Polícia Militar (PM). Segundo a PF, ele estava cedido para a Delegacia de Combate às Drogas (DCOD). Além dele, mais 34 pessoas foram presas, sendo oito policiais civis e 19 PMs.
O traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, é apontado como o principal mandante dos ataques à polícia do Rio em 2010 e está preso, desde novembro do ano passado, na penitenciária federal de Porto Velho (RO). Ele é um dos líderes da facção criminosa Comando Vermelho.
Ainda nesta tarde, o delegado Carlos Antônio Luiz Oliveira se entregou à PF. Ele ocupou cargo de subchefe da Polícia Civil do Rio e foi exonerado nesta manhã. De acordo com a Polícia Federal, ele ficará detido no presídio Bangu 8. Mais cedo, o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, afirmou que o chefe de Polícia Civil do Rio, delegado Alan Turnowski, é de sua confiança e que ele é apenas testemunha nas ações que desencadearam a Operação Guilhotina.
Em relação ao delegado Carlos Antônio Luiz Oliveira, Beltrame afirmou que a situação dele é "muito ruim e já está consubstanciada". O superintendente da PF, delegado Ângelo Fernando Gióia, disse que existem provas materias para o pedido de sua prisão, uma vez que ele estaria relacionado com os policiais envolvidos no espólio de guerra (subtração de produtos de crime), desvio de armas e repasse de informações a traficantes.
"Estamos realizando um trabalho belíssimo e histórico. O problema do Rio é antigo e sério e felizmente estamos encontrando parceiros que nos ajudam. Não vou abrir mão de qualquer parceria e acredito que estamos dando respostas concretas à sociedade no combate ao crime" , afirmou Gióia.
Ação mobiliza 580 homens
A Operação Guilhotina foi deflagrada pela PF na manhã desta sexta-feira, com o apoio de 200 agentes da Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) e do Ministério Público Estadual (MPRJ). O objetivo é cumprir 45 mandados de prisão preventiva, sendo 11 contra policiais civis e 21 contra PMs, e 48 mandados de busca e apreensão.
Cerca de 380 homens da PF participam da ação, que ainda investiga a ligação dos policiais com venda de armas e informações e o chamado espólio de guerra, que é a subtração de produtos de crime encontrados em operações policiais, como ocorrido na recente ocupação do Complexo do Alemão.
As investigações iniciaram a partir de vazamento de informações numa operação conduzida pela PF em 2009, que tinha como principal objetivo prender o traficante Roupinol, que atuava na favela da Rocinha junto Nem, apontado como o chefe do tráfico na comunidade. De acordo com a polícia, um grupo de policiais é suspeito de receber até R$ 100 mil por mês para proteger Nem e o avisar sobre operações no local.

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