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Governo explicará suposta ligação entre PT e Farc

14 de março de 2005 23h09 atualizado às 23h09

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Félix, quer explicar no Senado Federal as denúncias publicadas pela revista Veja de que a Agência Brasileira de Informações (Abin) teria em seus arquivos documentos que comprovam a ligação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) com militantes do Partido dos Trabalhadores (PT).

A informação foi repassada pelo líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP).

O senador petista disse que o general garantiu nesta segunda-feira que os documentos mencionados na reportagem não foram produzidos pela Abin. "O partido não patrocinou nada, encontro nenhum. Não iríamos nos associar a uma organização que promove seqüestros. A matéria contém informações precárias que não condizem com a história e o comportamento do partido", enfatizou Mercadante.

O ministro Jorge Felix entregou ao líder do governo pedido para que possa esclarecer as denúncias na Comissão Mista de Controle de Atividades de Inteligência do Congresso Nacional - uma vez que a Abin é subordinada ao GSI.

O senador Demóstenes Torres (PFL-GO), que esta semana ocupa interinamente a liderança do PFL no Senado, apresentou requerimento à Comissão solicitando explicações do general Jorge Félix e do diretor-geral da Abin, Mauro Marcelo de Lima e Silva, sobre as denúncias.

A Comissão é integrada pelos líderes da maioria e da minoria no Senado e na Câmara, e pelos presidentes das Comissões de Relações Exteriores das duas Casas Legislativas.

O senador Cristovam Buarque (PT-DF), que é presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, preside também a Comissão de Inteligência. Ele confirmou que vai convocar reunião para a próxima quarta-feira para analisar o requerimento apresentado pelo senador Demóstenes Torres. Mas não adiantou se o ministro Jorge Félix será ouvido ainda esta semana.

Segundo Veja, em abril de 2002 teria sido realizado churrasco nos arredores de Brasília com a participação de militantes petistas e representantes das Farc. Na ocasião, de acordo com a reportagem, um "embaixador" das Farc no Brasil teria anunciado a doação de US$ 5 milhões para a campanha eleitoral de candidatos petistas - ato flagrado por um agente da Abin que compareceu disfarçado ao churrasco.

O líder Aloizio Mercadante afirmou que o ex-ministro do GSI Alberto Cardoso - que estava no comando do órgão em 2002 - já conversou por telefone com o ministro Jorge Félix e negou que a Abin tenha promovido investigações no suposto churrasco.

Na avaliação do senador Demóstenes Torres, é preciso esclarecer se realmente existiu qualquer doação de recursos das Farc para as campanhas eleitorais do PT. "O que quer o PFL, e o que quer o próprio PT, é que a Abin diga que isso não existe, que foram documentos forjados. O Brasil não pode aceitar que esse tipo de financiamento aconteça", enfatizou.

Já o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse que existem indícios da suposta contribuição das Farc ao PT. "O que responde o partido é muito pouco para quem está no governo e não pode tornar-se cúmplice de um fato como esse. Se as irregularidades ficarem comprovadas, vamos ter de um lado a existência de caixa dois. E do outro, a pior origem para esses recursos, que são o narcotráfico, seqüestros, roubos", criticou.

O líder Aloizio Mercadante criticou a postura adotada pelo PSDB, e disse que o senador Álvaro Dias se precipitou ao confirmar as denúncias. "O PT não tem e jamais teve relação financeira com as Farc, tampouco apóia o movimento. A política do PT é marcada pelo respeito aos povos", resumiu Mercadante.

Agência Brasil