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Em 2005, 17 crianças índias morreram de fome em MS

07 de março de 2005 22h22 atualizado às 22h22

A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) confirmou nesta segunda-feira as mortes de cinco crianças por desnutrição na aldeia Amambai, no município de Amambai (MS), nos dois primeiros meses de 2005. Com isso, sobe para 17 o número de crianças com menos de cinco anos mortas por falta de alimentos nas aldeias do Mato Grosso do Sul neste ano.

As crianças mortas em Amambai são Ivanette Locario (um ano e nove meses), Edmilson Chamorro Belmonte (um ano e quatro meses), Shirley Myke Lane Vilhalva (um ano e quatro meses), Edson Arce Escobar (um ano) e Rosaria Gonçalves (seis meses).

Além dessas cinco novas mortes, houve outros seis óbitos devido à fome na reserva indígena de Dourados (duas outras ocorridas não são atribuídas à desnutrição pelas autoridades de saúde).

Na aldeia Porto Lindo, em Japorã, cinco crianças guarani-nhandeva com menos de dois anos de idade perderam a vida. Outra, também nhandeva, morreu de fome na aldeia Serrito, em Eldorado, conforme informações da Funasa.

Contraditoriamente, todos os municípios onde ocorreram as mortes por desnutrição são grandes produtores de grãos como milho, soja ou carne - alimentos tradicionalmente exportados pelo Mato Grosso do Sul para outros Estados ou países.

Em Mato Grosso do Sul, a desnutrição afeta pelo menos 600 crianças indígenas nas aldeias. Na região de Amambai, onde foram confirmadas as novas mortes, há 180 crianças com problemas severos decorrentes da insuficiência na alimentação.

Um dos casos mais graves é o da menina Graciele Freitas, seis meses, que foi recolhida ao hospital de Amambai no último final de semana. A criança estava pesando cerca de 4,5 quilos - muito abaixo dos 8 quilos que um bebê saudável deveria ter nesta idade.

Graciele e outras duas crianças foram levadas ao hospital pelos agentes de saúde envolvidos no mutirão realizado no fim-de-semana em Amambai.

Em Japorã e Eldorado existem pelo menos 220 crianças com problemas nutricionais. Na região da Grande Dourados, onde os primeiros casos chamaram atenção da opinião pública e levaram as autoridades a pôr em funcionamento uma força-tarefa para enfrentar o problema, são outras 200 crianças.

Mas não é só a fome que está matando crianças indígenas em Mato Grosso do Sul. Além das seis mortes por desnutrição em Dourados, a Funasa registrou mais duas em decorrência de outros problemas de saúde: um óbito em função de infecção generalizada e outro provocado por problemas renais graves. Na região de Amambai, outras nove crianças com menos de 5 anos morreram de "causas diversas" nos dois primeiros meses de 2005.

Campo Grande News