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José Dirceu nega que país atravesse crise política

28 de fevereiro de 2005 22h38

O ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu, negou nesta segunda-feira, em Nova York, que as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre corrupção envolvendo as privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso tenham aberto uma crise política no Brasil.

"Não há uma crise política. A oposição está fazendo oposição e está buscando criar instabilidade política, a partir das declarações do presidente da República", disse, depois de fazer uma palestra para investidores e analistas econômicos na Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos.

"O que nós estamos assistindo é a um partido de oposição (PSDB), que tem o direito e se ele quer acusar o presidente da República de crime de responsabilidade, ele apresenta o pedido para o presidente da Câmara dos Deputados", acrescentou.

De acordo com José Dirceu, "os fatos são públicos e notórios também, sobre as privatizações, sobre o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Até o termo 'privataria'. Então deveriam processar todos os jornais e todos os jornalistas que falaram em 'privataria', processar todas as revistas que publicaram manchetes com denúncias de corrupção no caso das privatizações".

"Nitroglicerina pura"

Indagado se sabia sobre a que episódio específico do governo anterior o presidente Lula se referia, José Dirceu recusou-se a comentar.

"Isso aí já é exegese de uma declaração do presidente Lula", disse.

O ministro da Casa Civil também desmentiu o correspondente do jornal The New York Times no Brasil, Larry Rohter, que nesta segunda-feira publicou o artigo "O Sucesso Traz uma Supresa a um Partido Brasileiro: Confusão" (Success Brings Brazilian Party a Surprise: Disarray).

Citando José Dirceu, o artigo diz que o próximo congresso do PT, que comemorará os seus 25 anos, será "nitroglicerina pura", criando uma ocasião para a esquerda do partido manifestar seu descontentamento com o governo Lula.

"Não é verdade. Eu não falei isso. O jornalista pode até publicar, mas isto não é a verdade", disse.

Ao defender o seu partido, o ministro disse que "o PT tem maioria, e a maioria tem posição clara porque construiu, junto com todo o partido, o programa, a política de aliança que tem apoiado o governo. Agora, um partido político não é o governo".

Ele acrescentou que "o PT tem 35% das intenções de voto no Brasil. Pode mandar fazer pesquisa. É lógico que não vai ter isso na eleição. Mas o PT é o maior partido na Câmara e um dos maiores partidos do Brasil. E o PT está consolidado como partido. Partido político tem crise, tem tendência, tem correntes. Ou o PSBD e o PFL não têm? O PFL tá tudo unido, né? E o PSBD tá tudo unido também..."

Reforma ministerial

O ministro também negou que o governo pretenda contemplar o PP com cargos na próxima reforma ministerial em troca do arquivamento de uma representação parlamentar do PSDB contra o presidente Lula, a fim de processá-lo por crime de responsablidade em função das denúncias feitas na semana passada.

"Isso não é crível nem verossímil e, além do mais, a opinião pública brasileira não toleraria isso".

Indagado se o governo estaria planejando dar ministérios ao PP em troca de apoio no Congresso, Dirceu disse que "é público e notório que desde o ano passado o presidente Lula havia convidado o PP para participar do governo. Mas esta é uma questão interna do PP e é uma questão que o presidente da República no momento adequado vai tratar", afirmou.

Em Nova York, José Dirceu deverá se encontrar nesta terça-feira com assessores do secretário geral da ONU, Kofi Annan, para preparar a participação brasileira na próxima assembléia geral das Nações Unidas, além de ter reunião marcada com investidores.

José Dirceu deve permanecer em Nova York até a quarta-feira, embarcando então para Washington, de onde retorna na quinta-feira à noite ao Brasil, depois de se encontrar com membros do governo Bush.

BBC Brasil
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