A comissão que integra a Sindicância da Universidade Estadual Paulista (Unesp) que investiga o episódio que ficou conhecido como "rodeio de gordas" ouviu na manhã desta terça-feira alunos e servidores envolvidos na "brincadeira". A assessoria jurídica da Unesp não divulgou o teor do depoimento alegando procedimento regimental e informou que só será manifestará ao fim da sindicância, dentro de 50 dias.
"Para assegurar o cumprimento da lei e do Estatuto da Universidade, inclusive no que se refere à preservação do direito de defesa dos envolvidos, a administração não se pronuncia sobre processos disciplinares durante seu andamento", diz a nota da faculdade de 29 de outubro, logo após a instauração do processo administrativo disciplinar contra os dois estudantes da Faculdade de Ciências e Letras do Campus de Assis.
O "rodeio de gordas", promovido pelos alunos, ocorreu entre os dias 10 e 13, durante os jogos universitários, em Araraquara (SP). As agressões - consideradas uma "brincadeira" pelos organizadores - consistiam em agarrar mulheres, de preferência obesas, e tentar simular um rodeio, ficando o maior tempo possível sobre a colega. Segundo o responsável por uma comunidade no site de relacionamentos Orkut sobre o tema, mais de 50 alunos de diversos campi da Unesp participavam. O estudante afirma que, primeiro, o jovem se aproximava da menina, como se estivesse paquerando-a, e, em seguida, começava a agressão.
Em nota, a Unesp já informou que o colegiado da Congregação da Faculdade aprovou moção de repúdio aos fatos ocorridos em Araraquara e que "decidiu instaurar processo disciplinar para que sejam tomadas as medidas cabíveis em relação a fatos que teriam envolvido membros de seu corpo discente em jogos organizados por entidades estudantis".
O Ministério Público de São Paulo também instaurou inquérito civil para investigar o "rodeio de gordas". Segundo a promotora de Justiça Noemi Corrêa, responsável pelo inquérito, a conduta dos estudantes envolvidos configura "inúmeras figuras penais, tais como constrangimento ilegal, cárcere privado (as vítimas eram impedidas de sair do meio da roda), lesão corporal, vias de fato, injúria e perturbação da tranquilidade alheia por acinte ou motivo reprovável".
- Redação Terra

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