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 MG: fotógrafos dizem terem sido agredidos por Bruno em fórum
05 de novembro de 2010 16h43 atualizado às 19h14

Bruno teria agredido fotógrafos de dois jornais de Belo Horizonte. Foto: Frederico Haikal / Hoje em Dia /Futura Press

Bruno teria agredido fotógrafos de dois jornais de Belo Horizonte
Foto: Frederico Haikal / Hoje em Dia /Futura Press

Ney Rubens
Direto de Belo Horizonte

Fotógrafos de dois jornais de Belo Horizonte afirmaram que o goleiro Bruno os agrediu nesta sexta-feira no Fórum de Contagem (MG). A juíza havia permitido que fotógrafos e cinegrafistas registrassem imagens por cinco minutos. Neste momento, Bruno foi ao banheiro, e no caminho teria acertado um fotógrafo no peito e outro no olho. A audiência ouve testemunhas do processo sobre o suposto sequestro e assassinato de Eliza Samudio, ex-amante do atleta.

O fotógrafo do jornal O Tempo Samuel Aguiar afirmou ter sido atingido no olho. O fotógrafo do jornal Hoje em Dia Frederico Haikal disse que o goleiro o acertou no peito. No entanto, os dois afirmaram que não irão tomar nenhuma atitude quanto ao caso. A juíza não se manifestou sobre o assunto.

Advogado pede que juíza saia do caso
O advogado Wasley Cesar Vasconcelos, que defende Luís Henrique Romão, o Macarrão, entrou com um pedido de exceção de suspeição na secretaria do Fórum de Contagem pedindo que a juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues seja retirada do caso. Para o advogado, a juíza está convencida de que os réus são culpados. A solicitação será analisada pelo desembargador da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, Doorgal Andrada.

Durante a sessão, em resposta ao pedido de Vasconcelos, a juíza disse que o advogado não a conhece. "Você não me conhece. E não conhece o meu convecimento sobre o caso. Os senhores terão uma surpresa", afirmou.

Policial depõe
Terminou pouco depois das 17h o depoimento do policial Marcelo Damata. Ele afirmou que participou de várias diligências nas investigações da polícia, dentre elas na casa do sítio do goleiro Bruno em Esmeraldas (MG). O policial afirmou que não viu nenhuma prova de materialidade do crime na casa. No entanto, a pergunta, feita por um dos advogados, foi indeferida pela juíza. A resposta, portanto, não constará na ata da audiência.

O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno responderá como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação da atual amante do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.

Especial para Terra
  1. Bruno teria agredido fotógrafos de dois jornais de Belo Horizonte

    Foto: Frederico Haikal / Hoje em Dia /Futura Press

  2. Macarrão coloca aos mãos sobre a face em audiência em Contagem (MG)

    Foto: Frederico Haikal / Hoje em Dia /Futura Press

  3. Fernanda Gomes de Castro aparentemente reza o terço durante audiência

    Foto: Frederico Haikal / Hoje em Dia /Futura Press

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