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 Caso Rafael: promotora diz que ato de PMs foi gravíssimo
09 de setembro de 2010 19h39 atualizado às 19h58

Roberto Bussamra e o filho, Rafael, prestaram depoimento à Justiça. Foto: Fernando Souza/O Dia

Roberto Bussamra e o filho, Rafael, prestaram depoimento à Justiça
Foto: Fernando Souza/O Dia

Luís Bulcão Pinheiro
Direto do Rio de Janeiro

A promotora Isabella Pena Lucas, responsável pelas acusações contra os policiais militares que abordaram o carro de Rafael Bussamra na noite do atropelamento de Rafael Mascarenhas, afirmou que os depoimentos tomados na tarde desta quinta-feira ajudam a confirmar o inquérito policial que indiciou os PMs por corrupção passiva. "(Os policiais) se aproveitaram das funções que ocupam para isso. Então o fato é gravíssimo", disse.

Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães, morreu no dia 20 de julho após ser atropelado pelo veículo, conduzido por Rafael Bussamra, durante um racha. Os policiais militares que atenderam a ocorrência são acusados de pedir propina do pai do motorista para não levar o caso adiante.

"Eles estiveram no local, poderiam ter resolvido o fato, poderiam ter prendido em flagrante, se fosse o caso, poderiam ter tomado todas as providências. Além de não tomarem as providências, ainda receberam dinheiro para isso", afirmou a promotora.

Questionada sobre o depoimento de Roberto Bussamra, pai de Rafael, que afirmou que os PMs citaram outras pessoas envolvidas enquanto negociavam propina, Isabella disse que isso será investigado. No entanto, segundo ela, a alegação é comum para aumentar o valor de propinas.

"Na verdade, os policiais quando pedem propina, um dos argumentos para a elevação do valor é dizer que vão dividir com outras pessoas. Isso não quer dizer que outras pessoas estejam envolvidas. Mas se estiverem, isso vai ser investigado", afirmou.

Os advogados de defesa do cabo Marcelo Bigon e do sargento Marcelo Leal terão cinco dias para selecionar as testemunhas que prestarão depoimento sobre o caso.

Claudeonor de Brito, advogado do cabo, confirmou que vai chamar o irmão de Rafael Bussamra, Guilherme, para testemunhar. Ele estaria junto ao pai no momento em que foi negociado o pagamento de R$ 10 mil para que os policiais não levassem Rafael à delegacia e tentassem esconder a autoria do crime. Outra testemunha da defesa será o mecânico que consertou o carro após o atropelamento.

Para Brito, os depoimentos de Rafael e Roberto Bussamra prestados hoje foram contraditórios. "O pai e o filho esqueceram de ensaiar os depoimentos. Estão fora de sintonia e agora tentam incriminar. Quanto mais jogarem pedras em outras pessoas, acham que vão sair do foco do processo", afirmou.

Os PMs estão presos na Unidade Prisional da Polícia Militar, em Benfica. Ambos foram indiciados pela auditoria Militar por corrupção passiva e mais dois crimes. Roberto e Rafael foram indiciados por corrupção ativa. O inquérito policial civil está sendo analisado pelo Ministério Público e deve ser levado à Justiça no prazo de 15 dias.

Especial para Terra