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 Caso Rafael: pai e filho reafirmam na Justiça pedido de propina
09 de setembro de 2010 16h49 atualizado às 18h08

Roberto Bussamra diz que ele e o filho Rafael teriam sofrido ameaças dos PMs. Foto: Fernando Souza/O Dia

Roberto Bussamra diz que ele e o filho Rafael teriam sofrido ameaças dos PMs
Foto: Fernando Souza/O Dia

Luis Pinheiro Bulcão
Direto do Rio de Janeiro

Roberto Bussamra, pai do acusado de atropelar o músico Rafael Mascarenhas, filho de Cissa Guimarães, na madrugada do dia 20 de julho, reafirmou à Justiça militar do Rio de Janeiro, nesta quinta-feira, que se sentiu ameaçado pelos policiais para que seu filho não se apresentasse na delegacia após o atropelamento. Rafael também reafirmou o pedido de propina em depoimento à Justiça hoje.

De acordo com Roberto, os policiais teriam anotado o telefone e o endereço do atropelador (Rafael Bussamra) para fazerem ameaças. Pai e filho prestaram depoimento durante audiência da Justiça Militar do Rio, que julga o envolvimento dos PMs acusados de corrupção no caso.

Perguntado por um dos advogados por que ele não tentou agir de forma correta para consertar a situação após ter percebido que agia de forma errada, Roberto respondeu: "Consertar não, fui impedido de ir a delegacia. Eles disseram que tinha amigos (dos policiais) envolvidos.... Tem dinheiro para ser dividido com gente que estou fazendo contato", afirmou.

Roberto citou inclusive um suposto envolvimento da Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio de Janeiro (CET-Rio) na operação. "Eles só divulgam essas imagens se gente pedir. Senão não vão divulgar", teria dito um dos policiais a Roberto.

Rafael Bussamra disse a mesma coisa em depoimento à Justiça militar, nesta quinta-feira. "Ele (PM) disse que só poderia pedir a imagem, a viatura que tivesse chegado primeiro ao local. E como era viatura dele (policial), só ele poderia pedir", afirmou Rafael.

De acordo com Roberto, os policiais teriam copiado o endereço do atropelador do documento do carro. No entanto, um dos advogados de defesa disse que o endereço não constava no documento do veículo. Roberto afirmou ter dado R$ 1 mil aos policiais e desistido de pagar o restante do valor combinado, R$ 10 mil, após saber que a vítima havia morrido e que se tratava do filho de Cissa Guimarães.

Rafael disse ainda que quando foi mencionada a preocupação com a placa do carro, por meio da qual poderia ser feita a identificação, os policiais teriam dito para ambos ficarem calamos porque ela poderia ser dada como clonada pelos policiais.

Especial para Terra