Marcado pela emoção e pelo medo, o enterro do motorista de Kombi Leandro Baring Rodrigues, 24 anos, reuniu ontem apenas 13 parentes do rapaz, brutalmente assassinado domingo, em um dos acessos à Favela do Jacarezinho. Temendo represálias, os familiares seguiram, de longe, o carro que levou o caixão do jovem. A mãe dele deixou o Cemitério de Inhaúma minutos antes do sepultamento. Há pouco mais de um ano, Leandro presenciou a execução do irmão Leonardo Baring, que, por sua vez, testemunhou homicídios praticados por milicianos da Zona Oeste.
A família, que diz receber ameaças desde 2008, permaneceu mais de duas horas no cemitério até a chegada do corpo. A pedido dos parentes, preocupados se poderiam estar sendo observados pelo assassino de Leandro, a mãe da vítima foi embora sem se despedir do filho. "Eles ajudaram na prisão de criminosos e acabaram mortos. As autoridades do estado têm obrigação de fazer alguma coisa para proteger a família. Não recebemos nenhum tipo de ajuda", desabafou um tio de Leandro.
A mãe ressaltou que o medo separou a família. "Tenho filhos que saíram do Rio e também pretendo mudar porque temo pelas vidas deles. Minha cabeça vale R$ 20 mil", afirmou, ressaltando que alertou o filho uma semana antes do crime para que ele fugisse.
"Sonhei com uma Kombi cheia de tiros e avisei: 'Vigia, que você vai morrer'. Mas ele não me ouviu, disse que tinha que trabalhar para sustentar os filhos. Infelizmente, enterrei outro filho e morri pela segunda vez", lamentou ela.
Leandro havia deixado um passageiro na Avenida Dom Hélder Câmara, quando, segundo a polícia, um Polo emparelhou com a Kombi. Os assassinos fizeram vários disparos e fugiram. A Divisão de Homicídios investiga se o assassinato de Leandro pode ter sido praticado por integrantes de milícia de Campo Grande. No entanto, a polícia ainda não tem pistas dos criminosos.
Testemunhas no programa de proteção
O deputado Marcelo Freixo (PSOL) pediu ao subsecretário estadual de Assistência Social, Pedro Strozenberg, ajuda para reintegrar duas testemunhas ao programa de proteção do estado. O secretário aguarda contato das duas pessoas e poderá encaminhar o pedido ao Ministério Público e à Secretaria de Segurança a partir de hoje.
As testemunhas Y. ¿ que, junto com Leonardo, testemunhou a chacina na Favela do Barbante, em 2008 ¿ e P., outro irmão de Leandro, estão escondidos desde domingo, com medo. Y. escapou da morte em julho do ano passado, quando, em seu lugar, criminosos mataram cinco pessoas de sua família. As testemunhas chegaram a ser incluídas no programa de proteção, mas alegaram não terem se adaptado às condições e saíram.

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