O Ministério Público Federal (MPF) em Governador Valadares (MG) apura se mais brasileiros estão entre as 41 vítimas ainda não identificadas da chacina ocorrida no México, no último dia 25. Até agora, as autoridades identificaram oficialmente um brasileiro entre os mortos (Juliard Aires Fernandes), e aguardam a identificação do corpo de Hermínio Cardoso dos Santos, 24 anos, cujos documentos foram encontrados no local do crime.
Os corpos ainda não identificados foram transladados para a capital do país, México DF, onde será feita a identificação. De acordo com o embaixador do Brasil naquele país, Sérgio Florêncio, já foi emitido o atestado de óbito de Fernandes, e caso não seja possível o reconhecimento de Santos, o governo do brasileiro pedirá a realização de um exame de DNA. O Ministério das Relações Exteriores, no entanto, não soube informar quanto tempo o processo de identificação pode levar.
Ambos são de cidades localizadas próximas a Governador Valadares. A região é conhecida pelo grande número de emigrantes ilegais que se deslocam, especialmente, para os Estados Unidos. "Como não foi feito ainda o reconhecimento de todos os corpos, pode haver outros brasileiros entre as vítimas do massacre e é importante, caso se confirme essa eventualidade, que os procedimentos de identificação sejam agilizados e as respectivas famílias não fiquem desamparadas", afirmou o procurador da República que cuida do caso, Edílson Vitorelli.
Além de pedir informações ao governo brasileiro sobre o repatriamento dos corpos, o procurador também entrará em contato com familiares de Hermínio e Juliard para apurar se outros emigrantes viajavam com eles.
O MPF também quer identificar quem são as pessoas que recrutam emigrantes pelo País, conhecidos como cônsules. "Embora a emigração para o estrangeiro não seja, em si mesma, um crime, o recrutamento de pessoas para esse fim pode ser enquadrado no Artigo 206 do Código Penal, cuja pena é até 3 anos de prisão", afirmou o procurador.
O grupo de narcotraficantes Los Zetas, um dos cartéis mais violentos do México, é apontado como o responsável pelas 72 mortes. Um sobrevivente da chacina, o equatoriano identificado apenas como Freddy, afirmou à polícia que os 58 homens e 14 mulheres estavam tentando ir para os Estados Unidos quando foram sequestrados pelo grupo de criminosos e mortos a tiros quando se recusaram a trabalhar para eles.
- Agência Brasil

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