- Ney Rubens
- Direto de Belo Horizonte
O prefeito da cidade de Sardoá (MG), Edivaldo Carvalhaes de Souza, afirmou, nesta segunda-feira, que decretou luto de três dias após os documentos de Hermínio Cardoso dos Santos, 24 anos, terem sido encontrados no local do massacre de San Fernando, nordeste do México, que deixou 72 imigrantes ilegais mortos na semana passada. De acordo com a irmã de Santos, Marlene Cardoso do Santos, até as 20h30, ainda não havia sido confirmada a identificação do corpo de seu irmão.
As autoridades mexicanas anunciaram no sábado que um brasileiro foi identificado e reconhecido como Juliard Aires Fernandes, 20 anos, natural de Minas Gerais. O Itamaraty confirmou também que foram encontrados os documentos de Hermínio, mas que seu corpo ainda não havia sido identificado. Os dois eram amigos e tentariam entrar nos Estados Unidos juntos. De acordo com Marlene, o prefeito esteve na casa da família, onde comunicou o luto como sinal de "respeito".
Os pais de Fernandes e Santos disseram que os jovens haviam saído de casa para tentar uma vida melhor nos Estados Unidos, em busca de um trabalho com uma remuneração digna. Na zona rural de Sardoá e Santa Efigênia de Minas, cidades da região leste de Minas Gerais próximas a Governador Valadares, os dois trabalhavam como lavradores e ganhavam cerca de R$ 25 reais por dia "quando encontravam alguma coisa para fazer", disse o aposentado Alírio, pai de Fernandes.
Ele e Antônio do Santos, pai de Hermínio, querem que os dois sejam enterrados na terra natal. "Era o sonho dele (ir para os EUA). Eu não podia fazer nada, não é? Tive que deixar", disse Fernandes.
Juliard era o caçula de 10 irmãos. Nos EUA, encontraria dois deles, que já vivem no país. Ao todo, cerca de 20 pessoas, entre primos, tios e outros familiares moram nos Estados Unidos, uma parte ilegalmente.
O corpo do jovem foi reconhecido por uma tia, que viu algumas fotos divulgadas na internet. Gloria Aires disse que ele vestia uma camisa que ela havia dado de presente e que estava com as mãos amarradas. "Identifiquei meu sobrinho. Enviei a data de nascimento e recebi a confirmação que ele realmente estava morto", disse. O corpo de Juliard deve chegar ao Brasil em 15 dias, segundo informações passadas pelo Itamaraty aos familiares.
Hermínio já havia morado na Europa por duas vezes, mas foi deportado de Portugal recentemente. Como ele ainda não foi identificado, não há previsão para a chegada do corpo ao Brasil, segundo o Itamaraty. O Governo de Minas Gerais divulgou nota na qual informou que vai arcar com o translado.
As famílias não souberam informar como os dois tentavam chegar aos Estados Unidos. A dona de casa Gislaine Aires de Almeida, prima de Juliard, disse que "provavelmente eles tentavam fazer o que todo mundo na região faz": passar pela fronteira do México com os Estados Unidos com a ajuda de homens conhecidos como coiotes. "Por causa dessa viagem ainda devo cerca de US$ 3 mil", disse o pai de Hermínio.
O grupo de narcotraficantes Los Zetas, um dos cartéis mais violentos do México, é apontado como o responsável pelas mortes dos imigrantes. Um sobrevivente da chacina, o equatoriano identificado apenas como Freddy, afirmou à polícia que os 58 homens e 14 mulheres estavam tentando ir para os Estados Unidos quando foram sequestrados pelo grupo de criminosos e mortos a tiros quando se recusaram a trabalhar para eles.
- Especial para Terra

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