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 Hospital: ainda não há prova que corte em cesariana matou bebê
30 de agosto de 2010 19h53 atualizado às 20h13

O diretor técnico do Hospital Municipal do Campo Limpo, em São Paulo, Marcelo Antônio Gusmão, afirmou nesta segunda-feira que aguarda o laudo do Instituto Médico Legal (IML) que irá apontar a causa da morte de um bebê que nasceu prematuro na manhã de domingo e morreu momentos depois. O exame feito após a cesariana identificou um corte nas costas do recém-nascido, que teria sido causado pelo bisturi no momento do parto.

"A paciente foi atendida na emergência e encaminhada para um parto por cesariana, também de emergência. A menina tem 14 anos e tinha menos de seis meses de gestação. O bebê nasceu vivo, teve uma parada cardíaca, foi reanimado, mas não resistiu", disse Gusmão.

A assessoria da Polícia Civil disse que corporação foi acionada pois o bebê apresentava um corte nas costas e hematomas pelo corpo. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde lamentou a morte e afirmou que foi aberta uma comissão preliminar para investigar o caso.

O diretor técnico do hospital afirmou que a gestante entrou em trabalho de parto prematuro e que, antes de ser encaminhada para a sala de parto os médicos tentaram reverter o quadro, já que com menos de seis meses de gestação o bebê não está completamente formado. O sistema respiratório é um dos últimos a se formar.

Quando a bolsa rompeu, a gestante foi encaminhada para o parto. Ela foi atendida pelo médico André Luiz Veloso, que tem 27 anos de carreira e 20 anos de experiência na rede pública municipal de São Paulo. O obstetra foi auxiliado pela médica residente Indira Torres, especializada em ginecologia e obstetrícia. "O hospital é referência em atendimentos de alto risco. Todos os recursos necessários estavam disponíveis", afirmou o diretor técnico.

A adolescente começou o acompanhamento pré-natal em uma Unidade Básica de Saúde e, por se tratar de uma gestação de alto risco foi encaminhada para o Hospital do Campo Limpo, onde passou por seis consultas antes do atendimento de domingo. O bebê estava em posição transversa, o que impossibilita a realização de parto normal.

Após atestarem a morte do recém-nascido, os médicos o encaminharam para o necrotério. Lá, as regras hospitalares restringem o acesso a apenas duas pessoas. Segundo Gusmão, mais familiares tentaram entrar, o que gerou um conflito com os funcionários do hospital. Neste momento a Polícia Militar foi acionada.

O atestado de óbito causou a comoção, já que não informaria as razões dos hematomas na criança e conteria uma rasura no registro médico sobre a idade do bebê.

A mãe adolescente permanece internada e, segundo o hospital, tem um quadro pós-operatório normal. A previsão é que ela receba alta médica nesta terça-feira.

Redação Terra