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Aos 91 anos, morre em SP a pedagoga Dorina Nowill

30 de agosto de 2010 07h17 atualizado às 15h22

A pedagoga Dorina de Gouvêa Nowill, referência mundial na luta pelo direito dos cegos, morreu neste domingo, 29 de agosto, em decorrência de uma parada cardíaca. A criadora da Fundação Dorina Nowill Para Cegos estava internada havia 15 dias devido a uma infecção e deixa um legado em prol da inclusão social dos portadores de deficiências visuais.

Dorina tinha 91 anos e desde os 17 convivia com a cegueira, causada por uma infecção ocular. Apesar das dificuldades, dos preconceitos e da falta de livros em braille, ela lutou desde o início para continuar estudando e foi a primeira aluna cega a se matricular em uma escola regular em São Paulo, a Escola Normal Caetano de Campos.

Ainda estudante, conseguiu que a Escola Caetano de Campos implantasse o primeiro curso de especialização de professores para o Ensino de Cegos, em 1945. Após diplomar-se, viajou para os Estados Unidos com uma bolsa de estudos patrocinada pelo governo americano, pela Fundação Americana para Cegos e pelo Instituto Internacional de Educação para frequentar um curso de especialização na área de deficiência visual na Universidade de Columbia.

De volta ao Brasil, a pedagoga dedicou-se ao trabalho pioneiro da Fundação para o Livro do Cego no Brasil, que tinha como objetivo produzir e distribuir livros em braille para que deficientes visuais como ela pudessem estudar, e à implantação da primeira imprensa braille de grande porte no país. Em 1991, a fundação recebeu seu nome em reconhecimento ao seu trabalho.

Dorina também foi responsável pela criação na Secretaria da Educação de São Paulo do Departamento de Educação Especial para Cegos. Com o seu empenho, a educação para cegos se transformou em atribuição do governo quando, em 1953, em São Paulo, e em 1961, na Capital Federal, o direito à educação ao cego foi regulamentado em Lei.

No período de 1961 a 1973 dirigiu o primeiro órgão nacional de educação de cegos no Brasil, criado pelo Ministério da Educação, Cultura e Desportos. Dorina ainda realizou programas e projetos que implantaram serviços para cegos em diversos estados do país e eventos e campanhas para a prevenção da cegueira.

Em nível internacional, ela trabalhou com organizações mundiais de cegos e órgãos da ONU, como representante do Brasil. Ocupou importantes cargos em Organizações Internacionais de Cegos. Em 1979, foi eleita Presidente do Conselho Mundial dos Cegos. Em 1981, Ano Internacional da Pessoa Deficiente, Dorina falou na Assembléia Geral da ONU e trabalhou para a criação da União Latino Americana de Cegos (ULAC).

Em 1989, o Congresso Nacional ratificou a Convenção 1599 da OIT, que trata da reabilitação, treinamento e profissionalização de cegos, resultado de mais uma luta de Dorina, que havia começado 18 anos antes, com o primeiro centro de reabilitação criado pela Fundação.

O reconhecimento mundial da atuação da professora em prol do desenvolvimento e da inclusão social de pessoas com deficiência visual veio por meio de inúmeros prêmios, condecorações, títulos, comendas e outros concedidos por organizações do mundo todo, pelo governo brasileiro e por organizações brasileiras.

Casada havia 60 anos com o advogado Edward Hubert Alexander Nowill, que conheceu nos EUA, ela deixa cinco filhos, 12 netos e três bisnetos.

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