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 Com ar seco, dobram atendimentos em hospital infantil de SP
28 de agosto de 2010 14h34 atualizado às 14h40

Camada de poluição gerada pelo ar seco encobriu a paisagem na zona sul de São Paulo neste sábado. Foto: Raphael Falavigna/Terra

Camada de poluição gerada pelo ar seco encobriu a paisagem na zona sul de São Paulo neste sábado
Foto: Raphael Falavigna/Terra

Os danos à saúde devido à baixa umidade relativa do ar registrada na capital paulista nos últimos 13 dias está levando mais crianças aos hospitais. Na unidade municipal Menino Jesus, por exemplo, o movimento praticamente dobrou durante toda a semana. Segundo a coordenadora do ambulatório de especialidades médicas da unidade, a média diária é de 120 consultas, mas em alguns dias desta semana, como na segunda-feira, o atendimento dobrou e mais de 240 crianças foram atendidas com problemas respiratórios como rinite, asma, bronquite, sinusite, pneumonia.

A médica explicou que normalmente os problemas começam com uma crise alérgica, o que facilita a entrada de vírus e bactérias e desencadeia problemas infecciosos, que atingem principalmente crianças e idosos. "As crianças têm uma árvore respiratória mais delicada e em formação, por isso ainda não têm o processo de defesa totalmente completo. Isso facilita a entrada de alérgenos e substâncias para as quais normalmente um adulto já tem proteção, afirmou.

Neste sábado, o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) indicou que a umidade do ar durante a tarde, em São Paulo, deve continuar abaixo dos 30% por causa da influência de uma massa de ar seco. Para amanhã, a previsão é de que não ocorram mudanças e a umidade continue baixa.

Débora disse que, para evitar problemas, é preciso umidificar a mucosa do aparelho respiratório, que, com a baixa umidade relativa do ar, fica ressecada e desidratada. "A orientação é hidratar bem a criança, dar muito líquido", disse. Outras dicas, que também servem para todas as pessoas, é colocar baldes com água ou toalhas molhadas espalhadas pelo ambiente, limpar a casa com pano úmido para retirar bem a poeira e evitar cortinas e carpetes.

Conforme o balanço diário do CGE, a umidade baixa é registrada desde o dia 19, quando o percentual chegou a 21%. Desde a última quarta-feira, são registrados índices mínimos que variam entre 13% e 14%.

Segundo o CGE, além dos problemas respiratórios, o ar seco pode provocar dores de cabeça e irritação nos olhos, nariz, secura na garganta ou na pele; desidratação; inclusive com possibilidade de inflamação da faringe; proliferação de conjuntivite viral, alérgica e síndrome do olho seco e ainda aumentar a pressão arterial, arritmia cardíaca.

De acordo com informações da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), na manhã de hoje, 15 dos 20 pontos de medição localizados na região metropolitana de São Paulo apresentaram qualidade do ar regular, o que piora com a baixa umidade relativa do ar. No interior e litoral, o total de 19 locais de medição também registra qualidade do ar regular.

Agência Brasil