Baixos índices de umidade acentuam efeitos da poluição
Foto: Ricardo Matsukawa/Terra
- Hermano Freitas
- Direto de São Paulo
O desconforto provocado pelo tempo seco deve ter um breve alívio para os paulistas no início da semana. Segundo a Climatempo, está prevista para segunda-feira a chegada de uma frente-fria vinda do Sul do País que deve aumentar a umidade relativa do ar em mais de 40% e diminuir em cerca de 5°C a temperatura máxima do dia em relação a domingo. A chuva, se houver, deve ser fraca e em pontos isolados.
Umidade relativa do ar é a quantidade de água que o ar consegue reter como vapor. Em média, a atmosfera possui cerca de 4% de vapor. Quando este índice está em 4%, a umidade relativa é de 100% - portanto, toda a umidade possível está presente naquela parcela de ar.
O meteorologista André Madeira prevê que as nuvens de chuva sejam afastadas em direção ao mar pela massa de ar quente e seco que está estacionada sobre o centro do País e avançou pelo Estado paulista e até o Sul do País a partir do dia 20 de agosto. "Não estamos esperando chuvarada e nem frio intenso, mas ainda teremos uma mudança significativa", diz.
As máximas do dia na capital paulista, que chegaram a superar os 31° C na semana passada, não devem passar dos 26° C na segunda e na terça-feira e a umidade relativa do ar deve alcançar 60% - muito mais saudáveis que os 12% que chegaram a ser registrados na sexta-feira em São Paulo. Apesar do refresco nos primeiros dois dias, o ar deve seguir seco na próxima semana, já que não há previsão de chuva forte.
A recomendação da Defesa Civil paulistana é que a população evite atividades ao ar livre e exposição ao sol entre as 10h e 17h e não pratique exercícios entre as 11h e 15h. Queimadas foram proibidas em todo o Estado e o governo ainda pediu que a população evite o uso do carro. É aconselhável, ainda, a ingestão de bastante líquido para não ter problemas de desidratação.
O recorde de 2009 foi dia 14 de agosto, com 10% de umidade relativa do ar. Nos meses em que ocorrem poucas chuvas é comum que a umidade do ar fique reduzida, o que causa um aumento nos níveis de dióxido de enxofre, ozônio e material particulado, devido às piores condições de dispersão. Isso propicia o surgimento ou agravamento de doenças respiratórias, cardiovasculares e oculares.
A massa de ar quente e seco, formada a partir do fenômeno conhecido como La Niña - que aumenta a temperatura do Oceano Pacífico e impede a formação de nuvens no continente sul-americano -, chegou a cobrir parte do Paraná, Sudeste, Centro Oeste do Brasil e Centro Oeste da Bahia, Centro Sul do Maranhão, Tocantins, Sul do Pará e do Amazonas e ainda Rondônia. Apenas o litoral e a capital de São Paulo se beneficiarão da umidade que vem do sul nesta segunda.
A previsão é de que a massa de ar continental quente e seca que está estacionada sobre todo o Centro Oeste e impede que as chuvas cheguem à Capital Federal - onde não chove desde maio - prevaleça sobre as frentes frias até meados de outubro. Segundo Madeira, historicamente, Paraná, São Paulo e Mato Grosso sofrem com o fenômeno até a primeira quinzena de setembro.
Cuidados
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, a situação requer cuidados especiais, principalmente, entre as crianças e os idosos, considerados os grupos mais afetados pela baixa umidade.
De acordo as autoridades, para evitar maiores consequências, a população deve ingerir bastante água, sucos naturais feitos de maneira adequada e água de coco. Também é importante manter a higiene doméstica, evitando o acúmulo de poeira, que desencadeia problemas alérgicos.
Na hora de dormir deve-se escolher um local arejado e umedecido para minimizar os efeitos do tempo seco. Os ambientes podem ser umidificados com toalhas molhadas, reservatórios com água (como bacias) ou umidificadores.
- Redação Terra



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