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 Rio: com atuação das UPPs, tráfico aposta no 'disque-drogas'
26 de agosto de 2010 16h01

As Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) levaram a paz para algumas comunidades do Rio de Janeiro, mas fizeram o tráfico de drogas rever seus conceitos. A alternativa que os traficantes encontraram para manter o lucro mesmo em locais ocupados é uma variação do disque-droga, que agora recorre às comunidades não ocupadas pela polícia.

Nas favelas onde a vigilância das UPPs é forte e o tráfico ainda não conseguiu brechas, os traficantes recebem as encomendas dos usuários e buscam as drogas em locais ainda não pacificados. Os bandidos, então, despacham motoqueiros que vão até comunidades aliadas pegar as encomendas. Quando necessário, a entrega é feita até mesmo nas ruas para evitar as abordagens que os policiais fazem nas favelas dominadas.

"Eles pagam uma taxa a mais para o motoqueiro ir pegar numa favela não ocupada", disse uma fonte que preferiu não se identificar. "Os usuários têm medo de entrar em outras favelas, mesmo que sejam da mesma facção".

Na zona norte, as favelas da Mangueira e do Jacarezinho surgem como as principais usuárias da nova modalidade. As duas são comunidades remanescentes do Comando Vermelho no meio de áreas que foram ocupadas, como Borel e Salgueiro.

Combate
Procurada pela reportagem do Jornal do Brasil para falar sobre o esquema, a Polícia Militar (PM) disse que as informações sobre a repressão ao tráfico de drogas são sigilosas e compartilhadas apenas com delegacias especializadas nessa área.

A corporação também lembrou que o principal objetivo das UPPs não é acabar com o tráfico de drogas, mas sim tirar as áreas ocupadas das mãos do crime e devolvê-las ao Estado.

O JB tentou entrar em contato com a Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), mas não obteve resposta.

PMs detém menor que levava drogas do Jacarezinho
Policiais militares prenderam um menor que levava drogas do Jacarezinho para a Baixada Fluminense. Ele descia de um ônibus em Paracambi quando foi abordados por PMs do Batalhão de Queimados, que chegaram ao criminoso através de denúncias anônimas.

A polícia apreendeu 13 tabletes de maconha, 10 cápsulas com cocaína e 10 embalagens com pedras de crack.

Segundo a PM, o menor confessou que levava drogas da zona norte para vender pelo dobro do preço na Baixada Fluminense. O esquema acontece há mais de seis meses e era investigado pela polícia.

Operação na Baixada
Em uma operação na favela Vila Ideal, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, dois traficantes foram mortos e seis foram presos. A polícia apreendeu quatro metralhadoras, quatro pistolas, 14 carregadores, munições de diversos calibres, dois cadernos com anotações do tráfico na região e um manual de instruções para armas que detalhava até o uso de morteiros para os traficantes.

Além das armas, a polícia ainda apreendeu uma grande quantidade de maconha hidropônica, cocaína, crack e haxixe.

Jornal do Brasil
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