Notícias » Brasil » Brasil

 Rio: patrulhamento é reforçado em favelas após invasão de hotel
22 de agosto de 2010 21h09 atualizado às 21h13

Policiais reforçam a entrada da 15ª Delegacia de Policia. Foto: Luis Bulcão Pinheiro/Especial para Terra

Policiais reforçam a entrada da 15ª Delegacia de Policia
Foto: Luis Bulcão Pinheiro/Especial para Terra

A Polícia Militar reforçou o policiamento neste domingo nas favelas da Rocinha e do Vidigal, na zona sul da cidade, após o intenso tiroteio que levou pânico e morte às ruas de São Conrado, na manhã de sábado. De acordo com informações do 23º BPM (Leblon), a situação é tranquila nas áreas e o patrulhamento continuará nas comunidades.

A presença maciça dos PMs deu mais segurança aos 19 mil atletas que participaram, pela manhã, da Meia Maratona do Rio (que teve a largada do bairro e seguiu até o Aterro do Flamengo) e também ao público que foi conferir a prova, que parecia tentar esquecer o pesadelo vivido no dia anterior.

Depois de ter sido invadido por um grupo armado que fez 35 reféns, entre hóspedes e funcionários em suas dependências, o Hotel Intercontinental retomou a sua rotina. A informação é da assessoria de imprensa do próprio hotel, que destaca "a rapidez e eficiência da ação da Polícia Militar e das autoridades de Segurança Pública na solução do caso, sem ameaça à integridade física de hóspedes e funcionários".

Os criminosos invadiram o estabelecimento quando fugiam da polícia. Na troca de tiros entre PMs e os traficantes, Adriana Duarte de Oliveira, de 41 anos, morreu e sete pessoas ficaram feridas. De acordo com a PM, a mulher trabalhava para o tráfico de drogas e contra ela já havia um mandado de prisão expedido.

Manhã de pânico e morte
Na manhã de sábado, a zona sul foi palco ontem de uma ação criminosa de ousadia inédita. Sessenta bandidos da Rocinha, com fuzis e pistolas, trocaram tiros com policiais militares pelas ruas de São Conrado, deixando um rastro de terror. No confronto, que deixou quatro PMs feridos, parte do bando invadiu o Hotel Intercontinental e fez 35 reféns. Cerca de 50 homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) cercaram e ocuparam cada andar do edifício. Após pouco mais de uma hora de tensa negociação - com os criminosos ameaçando dar tiros de fuzis em hóspedes e funcionários -, as vítimas foram libertadas e 10 bandidos, presos. Mais tarde, outro suspeito foi localizado no Hospital Getúlio Vargas, na Penha.

Para o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, o ataque, que ganhou repercussão mundial, não foi novidade: "Essa imagem, o Rio passa para o mundo há muito tempo. Isso não é novo para o carioca. Nos próximos anos teremos um Rio bem melhor. Mas quem achar que isso vai se reverter num piscar de olhos, é um mentiroso".

A ação começou às 8h20, quando o bonde saiu de um baile funk no Morro do Vidigal e seguia para a Rocinha. Na Avenida Niemeyer, a quadrilha cruzou com patrulha do 23º BPM (Leblon), onde PMs viram cinco vans e cerca de dez motos com homens armados. No grupo, estava Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, chefão da Rocinha. Os policiais tentaram interceptar a quadrilha, e o tiroteio começou. Vestindo coletes à prova de balas, os bandidos dispararam de fuzil do meio da rua, colocando motoristas e pedestres na linha de tiro.

O Dia
O Dia - © Copyright Editora O Dia S.A. - Para reprodução deste conteúdo, contate a Agência O Dia.