- Ney Rubens
- Direto de Belo Horizonte
O legista George Sanguinetti, contratado pela defesa do goleiro Bruno, realizou na tarde deste sábado uma perícia na residência de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, em Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG). O ex-policial é acusado de matar a ex-amante de Bruno, Eliza Samudio.
Sanguinetti, que também trabalhou no caso Isabella na defesa do casal Nardoni, recolheu pelos humanos e de cães em vários pontos da casa, além de uma corda, substâncias e outros objetos da residência. O material será analisado pelo perito em laboratório.
O perito fez um mapeamento de todos os cômodos da residência em cerca de três horas de trabalhos. Segundo Sanguinetti, os cães de Bola que teriam comido restos mortais de Eliza não serão analisados por ele. Os cinco animais que estavam congelados aguardando o trabalho da perícia contratada pela defesa foram enterrados após terem sido incinerados na última quinta-feira.
Os animais haviam sido congelados a pedido do advogado de Bola, Zanone Manoel de Oliveira Júnior. "Já que a perícia da Polícia Civil não encontrou nenhum vestígio nos cães, não há motivos para conservá-los mais", disse. Ele afirmou que já entrou nesta sexta-feira com uma liminar de habeas corpus no Tribunal de Justiça de MG para tentar libertar seu cliente.
Zanone disse que solicitará autorização da Justiça para que Sanguinetti também realize uma perícia na Ranger Rover de Bruno, onde foram encontrados vestígios de sangue de Eliza e do primo do goleiro, o adolescente de 17 anos.
"Se a morte realmente aconteceu, podemos levantar a hipótese de ela ter acontecido, por exemplo, no Rio de Janeiro, já que no inquérito consta que Eliza foi agredida dentro do carro e teria perdido grande quantidade de sangue de massa encefálica", afirmou.
O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.
No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.
Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.
No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.
No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno responderá como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação da atual amante do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.
- Especial para Terra



Assista agora »
Assista agora »