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 Reconstituição aponta que Rafael foi arremessado a 50 m
10 de agosto de 2010 14h54 atualizado às 16h24

A delegada Bárbara Lomba afirmou que o laudo da reconstituição mostrou que Rafael Mascarenhas caiu a 50 m do local onde foi atropelado. Foto: Luis Bulcão Pinheiro/Especial para Terra

A delegada Bárbara Lomba afirmou que o laudo da reconstituição mostrou que Rafael Mascarenhas caiu a 50 m do local onde foi atropelado
Foto: Luis Bulcão Pinheiro/Especial para Terra

Luís Bulcão Pinheiro
Direto do Rio de Janeiro

A reconstituição do atropelamento que causou a morte de Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimaraes, mostrou que, com o impacto, o rapaz foi arremessado a cerca de 50 m. O laudo apresentado pela delegada Bárbara Lomba, titular da 15ª DP do Rio de Janeiro, mostrou, também, que o Siena guiado por Rafael Bussamra estava a uma velocidade aproximada de 100 km/h quando atingiu a vítima, que andava de skate em um túnel fechado.

Na segunda-feira, foi apresentado o resultado da perícia do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE). Segundo o laudo, o carro estava a uma velocidade estimada de 100 km/h. A perícia apontou, também, que os estragos no carro não são compatíveis com uma velocidade inferior a 60 km/h.

Segundo Bárbara, o fato de o carro estar em velocidade acima do permitido e de ter feito uma conversão proibida em um túnel fechado será levado em conta para os apontamentos do inquérito. A delegada confirmou que não havia sinalização no túnel no sentido Gávea-Barra indicando o fechamento da via no sentido oposto. No entanto, a conversão feita pelo carro de Bussamra não era permitida.

A delegada confirmou que pode haver indícios de que Bussamra sabia do fechamento do túnel. "Uma prova cabal não há. Mas a polícia pode trabalhar com indícios", afirmou ela.

Conforme a delegada, os depoimentos já foram tomados e as informações relacionadas a laudos e demais provas já foram recebidas. Ela afirmou que falta agora analisar e comparar as informações. "O resultado dos laudos não afetam a investigação em si. As informações apresentadas pela perícia, somado a outras informações vão nos permitir tomar a decisão", afirmou.

Bárbara calcula que o inquérito esteja pronto em 20 de agosto. O documento, segundo ela, teve apontar se Bussamra cometeu homicídio culposo (sem intenção de matar) ou com dolo eventual (quando assume o risco de matar).

Além da acusação de homicídio doloso ou culposo, Bussamra pode responder por fuga do local e corrupção ativa. De acordo com a delegada, indícios de que Bussamra chamou os bombeiros para atender a ocorrência isentariam o jovem de culpa por omissão de socorro. No entanto, a conduta após o acidente, que teria envolvido pagamento de propina a policiais e a condução do carro para uma oficina supostamente para tentar apagar os vestígios de acidente, poderia levar a um agravamento das acusações.

Propina
Bárbara acredita que deve haver uma troca de informações entre as polícias Civil e Militar, para a conclusão das investigações sobre conduta dos policiais militares que abordaram o atropelador após o acidente. Os crimes podem variar de concussão, onde há a exigência de dinheiro por um serviço público gratuito, a corrupção ativa por parte dos policiais ou por parte de Bussamra, que contou com a ajuda de seu pai. Os policiais, um cabo e um sargento, teriam recebido R$ 1 mil reais para liberar o atropelador após o acidente. Ambos estão presos no Batalhão Especial Prisional, em Benfica, e serão julgados pela justiça militar.

Especial para Terra