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 Sociólogo diz que UPP não acabará com venda de drogas no Rio
10 de agosto de 2010 14h39 atualizado às 15h32

Oficiais do Bope realizam ocupação do morro. Foto: Fábio Gonçalves/O Dia

Oficiais do Bope realizam ocupação do morro
Foto: Fábio Gonçalves/O Dia

Enquanto a Polícia Militar do Rio de Janeiro inicia a ocupação de mais uma comunidade para a implantação da 12ª Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), o coordenador do Núcleo de Estudos em Cidadania, Conflito e Violência Urbana da Universidade Federal Fluminense (UFRJ), Michel Misse, vê o projeto com ressalvas. O Morro do Turano, a quinta comunidade da Tijuca, recebeu nesta terça-feira a sua unidade.

O sociólogo diz que a UPP não conseguiu, nem conseguirá, acabar com a venda de drogas, já que, segundo ele, enquanto houver demanda por drogas, haverá pessoas vendendo a substância ilegal. "Tem gente vendendo drogas no Santa Marta (primeira comunidade a receber a UPP, no final de 2008), só não tem mais aquele controle de território, ostensivo, armado", afirmou.

Misse lembra ainda que a maioria das unidades de polícia pacificadora está concentrada em áreas mais nobres, como a zona sul da cidade do Rio de Janeiro. Ele questiona se as UPP têm o objetivo de proteger os moradores das favelas ou os do "asfalto". Para o coordenador, as comunidades carentes deveriam receber, além da atenção dos órgãos de segurança pública, iniciativas nas áreas de educação, saúde e saneamento básico e, segundo ele, isso não ocorre na maioria das favelas com UPP.

O estudioso também acredita que a implantação do projeto em comunidades como o Complexo do Alemão, o Complexo da Maré e o Jacarezinho, na zona norte da cidade, será muito mais complicada do que as instalações de UPP feitas até hoje.

O planejamento estratégico da Secretaria de Segurança prevê que o projeto da UPP poderá chegar a até 40 áreas nos próximos quatro anos, o que incluirá 165 comunidades (nos cálculos da secretaria), das mais de mil que hoje estão sob controle de quadrilhas armadas no Estado do Rio.

Agência Brasil