Tumulto, indignação e cansaço marcaram a noite de domingo e a madrugada desta segunda-feira no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, principalmente no setor 1 de embarque do terminal. Uma série de atrasos e cancelamentos de vôos da companhia aérea Gol irritou provocou transtornos para 100 passageiros que tentaram seguir para cidades como Porto Alegre (RS) e Manaus (AM) e para a Argentina e o Uruguai. Segundo a empresa, o problema foi reflexo do tráfego intenso, possivelmente ocasionado pelo fim das férias escolares, e problemas com a carga horária da tripulação, o que gerou um efeito cascata.
Para a auditora fiscal da Receita Federal, Marta Flores, 47 anos, o fim das férias de meio de ano foi decepcionante. Após passar nove dias em Porto de Galinhas (PE), com o marido e os filhos João Pedro, 10 anos, e Thomáz, 6 anos, ela acabou perdendo a conexão no Rio que seguiria para Porto Alegre, onde mora. O motivo seria o atraso de quatro horas no vôo que a trouxe de Recife (PE), devido a problemas com a tripulação.
"Você já recomeça a vida após as férias em estado de estresse. Caímos na real na volta da rotina", protestou sentada sobre a bagagem no saguão e tendo o filho menor adormecido no colo. Ainda segundo ela, a informação da Gol era de que eles só poderiam embarcar à tarde. Ela se recusou a aceitar uma estadia em um hotel na Barra da Tijuca, mas acabou pagando para ficar no hotel do aeroporto, mas prometendo cobrar o reeembolso da empresa ou na Justiça.
Após o fim de semana no Rio, onde esteve para visitar familiares e a namorada, o engenheiro gaúcho Arthur Moreira de Abreu, 30 anos, tinha como maior desejo chegar a Porto Alegre para retomar a vida na segunda-feira. Segundo ele, houve tumulto e muita reclamação por volta das 23h, quando o cancelamento foi informado, após mais de uma hora e meia de atraso e dos passageiros já terem feito o check-in. Ele se recusou a aceitar a estadia em hotéis e tinha esperança de conseguir uma conexão ou um voo direito durante a madrugada. Até as 7h, ele ainda não tinha conseguido embarcar.
A dona-de-casa argentina Cristina Pelissero estava indignada com o tratamento prestado pela empresa. Integrante de um grupo de 12 pessoas da província de Córdoba que voltavam de férias em Salvador (BA), Cristina reclamou que em nenhum momento foi informado o motivo do cancelamento do voo. Eles também se recusaram a ir para um hotel na Barra da Tijuca.
O cancelamento também indignou o auxiliar de RH Charbel Bedran, 30 anos. Após quatro adiamentos do voo que partiria às 20h com destino a Manaus (AM), a mãe dele e outros cinco passageiros não teriam sido encaixados na cota prioritária da Gol e não embarcaram. A bagagem dela, no entanto, seguiu na aeronave. "A empresa não nos deu nenhuma explicação. A mala seguiu, ficamos cinco horas aguardando uma solução e tive gastos com estacionamento", disse o analista. O voo foi remarcado para as 20h20 desta segunda-feira. O professor Aluísio Lemos, 65 anos, aguardava por mais de três horas a chegada da esposa, que viria em um voo da empresa procedente de Manaus.
Durante as negociações de funcionários da Gol para acomodar os passageiros em hotéis, uma senhora argentina não identificada se recusou a seguir para a Barra da Tijuca. Ela chegou a se sentar no chão próximo ao check-in.
Dos 105 voos programados até as 6h no aeroporto, 59 partiram com atraso, 21 estavam atrasados e 11 haviam sido cancelados. Em nota, a Gol informou "que ofereceu alternativas de reacomodação, prestando atendimento e toda a assistência necessária" aos passageiros afetados pelo problema. A expectativa da empresa é de que a situação seja normalizada no início desta semana.

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