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 Caso Rafael: decretada prisão de PMs que teriam recebido propina
27 de julho de 2010 19h43 atualizado às 20h39

Siena que atropelou Rafael foi periciado no Rio. Foto: Paulo Vitor/Agência Estado

Siena que atropelou Rafael foi periciado no Rio
Foto: Paulo Vitor/Agência Estado

A Auditoria de Justiça Militar no Rio de Janeiro decretou nesta terça-feira a prisão preventiva do sargento Marcelo Leal e do cabo Marcelo Bigon, do 23º BPM, acusados de terem recebido propina para liberar Rafael Bussamra, que confessou ter atropelado e matado Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães. Os dois cumpriram prisão administrativa. Com o fim do período de 72 horas de reclusão e como não houve manifestação da Justiça Militar a tempo, Bigon deixou hoje o batalhão.

Mascarenhas andava de skate na pista sentido Gávea do túnel Acústico, que estava sem tráfego devido à interdição para manutenção do túnel Zuzu Angel quando foi atropelado pelo Siena. Bussamra admitiu ter feito o retorno ilegal para comprar um lanche, mas testemunhas dizem que ele fazia um "pega" com um Honda Civic.

Na versão de Rafael Bussamra, os PMs teriam solicitado a ele que entrasse na viatura policial. Eles teriam circulado pelo bairro Jardim Botânico até o local marcado para encontrar o pai do atropelador, Roberto Bussamra. A dupla teria pedido dinheiro ao pai de Rafael, dizendo que "prestaram um bom serviço" ao jovem tirando o veículo do local e limpando a cena do atropelamento. Após dar R$ 1 mil os policiais, o empresário teria se negado a pagar o restante do dinheiro combinado, valor que a família afirma ser de R$ 10 mil.

Uma perícia realizada no GPS do carro usado pelos policias confirmou a versão da família Bussamra. Roberto e o filho podem ser indiciados por corrupção.

De acordo com o Ministério Público, que pediu a prisão à Justiça, os dois PMs abordaram o atropelador, como eles próprios admitem e como foi registrado em imagens feitas por câmeras de trânsito. Para o MP, conforme relatório do GPS da viatura utilizada, eles teriam incorrido em crime propriamente militar, saindo da área de patrulhamento, para a qual estavam escalados, para obter vantagem ilícita.

Ao requerer a prisão, o MP entendeu que os policiais poderiam pôr em risco a investigação dos fatos, principalmente porque os envolvidos recentemente disseram que se sentem intimidados, informou a assessoria do órgão.

Redação Terra