- Luís Bulcão Pinheiro
- Direto do Rio de Janeiro
O trabalho de reconstituição do atropelamento que matou o músico Rafael Mascarenhas, 18 anos, filho da atriz Cissa Guimarães, começou na madrugada desta terça-feira, no túnel Zuzu Angel. A Polícia Civil chegou ao local, por volta de 0h, junto a peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) e os amigos do músico, que andavam de skate com a vítima na hora do fato já fizeram a sua parte na reconstituição e foram embora do local. Os próximos a serem ouvidos são os jovens que estavam nos veículos que fizeram um retorno proibido no túnel e entraram na pista fechada, atropelando Mascarenhas.
O irmão de Rafael Mascarenhas, o ator João Velho, acompanhou parte da reconstituição no túnel Zuzu Angel afirmou que confia no trabalho da polícia. "Tudo está sendo difícil, desde o momento em que eu cheguei até agora. É tudo difícil", afirmou, ressaltando que seu maior desejo no momento é de que seja feita "justiça".
A delegada Bárbara Lomba, titular da 15ª DP do Rio de Janeiro, convocou todas as testemunhas do atropelamento. Os skatistas amigos de Rafael e e os quatro jovens que supostamente faziam um racha no local, segundo as testemunhas. Também foram levados ao local, os carros Siena, do jovem Rafael Bussamra, que atropelou o músico, e o Honda Civic, que acompanhava Bussamra. A versão de um suposto racha entre os dois carros na madrugada do atropelamento é um dos fatores que a reconstituição pretende esclarecer. O jovem, Rafael Bussamra, que atropelou o músico, chegou ao túnel por volta de 0h30.
O filho mais novo da atriz Cissa Guimarães morreu após ser atropelado por um Siena enquanto andava de skate no túnel interditado para manutenção. O motorista, Rafael Bussamra, admitiu ter feito o retorno ilegal, mas testemunhas dizem que ele fazia um racha com um Honda Civic.
De acordo com a delegada Bárbara Lomba, que acompanha o caso, a reprodução simulada servirá para comparar o que foi dito nos depoimentos. "Queremos saber o que aconteceu dentro do túnel. Cada um vai narrar a sua versão. Através do exame dos peritos, vai se tentar saber o que aconteceu", afirmou.
Um dos aspectos a ser analisado é a velocidade que estava o carro no momento do atropelamento. "A velocidade é um elemento importante. Mas, até o momento, nada foi concluído", disse.
Sobre os policiais militares suspeitos de cobrarem propina para liberar o Siena, visivelmente danificado, a delegada disse que espera ouvi-los ainda esta semana, mas que cabe à Polícia Militar investigar o cabo e o sargento. Os PMs cumprem prisão administrativa desde domingo.
Conforme Bárbara, Roberto Bussamra, pai do atropelador, Rafael e um irmão podem ser indiciados por corrupção ativa. Rafael prestou depoimento na segunda-feira. Na saída, o advogado Spencer Levy afirmou que o jovem e sua família foram coagidos a cometer delitos. Eles deveriam ter sido encaminhados para a delegacia, mas ao invés disso teriam pago dinheiro aos policiais para que fossem liberados.
Até o momento, sete pessoas foram ouvidas na delegacia. A titular da 15ª DP espera ouvir novamente o passageiro do Siena, identificado como André. "As investigações prosseguem. Eventualmente, alguns podem ser indiciados no final do inquérito", afirmou. A delegada disse ainda que deve concluir o inquérito em 20 dias.
- Especial para Terra

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