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 Bruno e mais 2 suspeitos permanecem calados em audiência
22 de julho de 2010 14h22 atualizado às 21h11

Bruno sorri para câmeras ao deixar audiência

Ney Rubens
Direto de Contagem

Menos de 30 minutos após chegarem ao Juizado da Infância e Juventude de Contagem (MG), o goleiro Bruno e mais dois suspeitos pelo desaparecimento da estudante Eliza Samudio deixaram o local sem prestar depoimentos. Segundo o advogado Ércio Quaresma, que defende o atleta e o amigo dele, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, o silêncio do grupo motivou a abreviação da audiência prevista para apurar a participação do menor J., primo do jogador, no crime.

"Não tem o que falar, não tem o que fazer aqui", disse Quaresma. Por volta das 14h, tanto Bruno quanto Macarrão e o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, haviam deixado o local para retornar ao presídio de Contagem. Apenas Sérgio Rosa Sales, também primo de Bruno, prestou depoimento ao juiz Elias Charbil Abdou Obeid, segundo a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de Minas Gerias (TJ-MG). Por volta das 15h, Sérgio deixou o local.

Bruno foi o primeiro a deixar o prédio, às 13h50. Sorrindo, o jogador foi hostilizado pela multidão de curiosos. Questionado sobre os motivos do sorriso do goleiro, Quaresma afirmou que se trata da confiança na absolvição. "Ele tem certeza de que a Justiça vai prevalecer", afirmou.

O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Durante a investigação, testemunhas confirmaram à polícia que viram Eliza, o filho e Bruno na propriedade. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado. Por ter mentido à polícia, Dayanne Souza foi presa. Contudo, após conseguir um alvará, foi colocada em liberdade. O bebê foi entregue ao avô materno.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em depoimento, admitiu participação no crime. Segundo o delegado-geral do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Minas Gerais, Edson Moreira, o menor apreendido relatou que o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, estrangulou Eliza até a morte e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Os três negam participação no desaparecimento. A versão do goleiro e da mulher é de que Eliza abandonou o filho. No dia 8, a avó materna obteve a guarda judicial da criança.

Especial para Terra
  1. Bruno ficou em silêncio na audiência e deixou o juizado sorrindo

    Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

  2. Bola tentou esconder o rosto na entrada do juizado

    Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

  3. Bruno deixou a audiência sorrindo

    Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

  4. Macarrão é escoltado por policiais

    Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

  5. O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, deixa o local escoltado

    Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

  6. Macarrão saiu do Juizado acompanhado de policiais

    Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

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