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 Mulher de Bruno e Macarrão se calam em depoimento
16 de julho de 2010 09h38 atualizado às 17h43

Macarrão chega à delegacia para prestar depoimento, em Belo Horizonte. Foto: Paulo Assis/Futura Press

Macarrão chega à delegacia para prestar depoimento, em Belo Horizonte
Foto: Paulo Assis/Futura Press

Ney Rubens
Direto de Belo Horizonte

Instruída por seu advogado a permanecer em silêncio, a mulher do goleiro Bruno, Dayanne Rodrigues, não respondeu a perguntas durante depoimento no Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Belo Horizonte, nesta sexta-feira. Com a mesma orientação, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, reafirmou que só fala em juízo.

Dayanne chegou pela porta dos fundos do DIHPP. De acordo com a delegada Alessandra Wilke, o objetivo era obter o primeiro depoimento após a prisão de Dayanne, no último dia 24.

O advogado Ércio Quaresma, contudo, tem afirmado que seus clientes não vão mais falar sobre o caso. Quaresma representa Bruno, Macarrão, Dayanne Elenilson Vítor da Silva, Wemerson Marques de Souza - o Coxinha - e Flavio Caetano de Araújo. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais negou o pedido de habeas-corpus de todos os representados pelo advogado, mas agora ele diz que recorrerá ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) com os mesmos argumentos.

O advogado Frederico Franco, que trabalha com Quaresma na defesa dos seis envolvidos no caso, criticou a condução do interrogatório. "Foi um dos depoimentos mais pesados que já assisti", disse. Segundo ele, a polícia leu trechos do inquérito para Dayanne, perguntando se ela tinha ciência ou não. Ela demonstrou incômodo, mas não respondeu a nenhuma pergunta, segundo Franco.

Mulher de Macarrão passa mal
Jogiane Pabila de Oliveira, 23 anos, mulher de Macarrão e grávida de 9 meses do segundo filho do casal, prestou depoimento por 5 horas na tarde de hoje. Durante a oitiva, de acordo com a polícia, ela passou mal. Seu advogado, Wasley Cesar de Vasconcelos, se revoltou com a insistência da polícia enquanto ela chorava e abandonou a sala durante o depoimento.

À polícia, a mulher de Macarrão disse desconhecer que seu companheiro usava armas. Ao ser questionada sobre a participação dele no crime, ela negou o envolvimento e chorou novamente.

O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Durante a investigação, testemunhas confirmaram à polícia que viram Eliza, o filho e Bruno na propriedade. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayane Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado. Por ter mentido à polícia, Dayane Souza foi presa. Contudo, após conseguir um alvará, foi colocada em liberdade. O bebê foi entregue ao avô materno.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em depoimento, admitiu participação no crime. Segundo o delegado-geral do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Minas Gerais, Edson Moreira, o menor apreendido relatou que o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, estrangulou Eliza até a morte e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães. Segundo o delegado, no dia do crime, o goleiro saiu do sítio com Eliza e voltou sem ela, o que indicaria que o goleiro presenciou a ação.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Os três negam participação no desaparecimento. A versão do goleiro e da mulher é de que Eliza abandonou o filho. No dia 8, a avó materna obteve a guarda judicial da criança.

Especial para Terra