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 Primo confirma que Bruno tinha contato com Eliza no sítio
16 de julho de 2010 09h04

Bruno é suspeito pelo desaparecimento de Eliza Samudio. Foto: Severino Silva/O Dia

Bruno é suspeito pelo desaparecimento de Eliza Samudio
Foto: Severino Silva/O Dia

Sérgio Rosa Sales, primo do goleiro Bruno Souza, afirmou em depoimento ao Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) que o jogador tinha contato com a estudante Eliza Samudio no período em que a jovem foi mantida em cárcere privado no sítio do atleta em Esmeraldas, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG). "Bruno tinha contato direto com a moça que tava com a cabeça toda estourada, eu sei disso porque eu convivi esses dias todos lá", disse Sales.

Na quinta-feira, Sales reforçou o que havia contado à polícia na semana passada, acrescentando detalhes de horários do que aconteceu no sítio do jogador, principalmente no dia 9, quando a jovem sumiu.

O rapaz já tinha colaborado com a polícia na reconstituição dos momentos vividos por Eliza durante os três dias em que ela foi mantida em um dos quartos da casa do goleiro. Sérgio repetiu que no dia 8, após jogo de futebol, foi proibido de entrar na casa, o que gerou um atrito com Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, braço direito de Bruno. "Eu dormi num quarto de cima, o acesso é por fora da casa", afirmou.

O primo do goleiro também fez uma descrição detalhada da casa do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, em Vespasiano (MG), para onde Eliza teria sido levada depois de sair do sítio, na noite do dia 9. E revelou que, poucas horas antes de a jovem ser levada para a morte, o menor J., também primo de Bruno, Macarrão, o administrador Elenílson Vítor da Silva, e os amigos Flávio Caetano, o Flavinho, e Wemerson Marques do Carmo, o Coxinha, ficaram jogando Banco Imobiliário.

O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Durante a investigação, testemunhas confirmaram à polícia que viram Eliza, o filho e Bruno na propriedade. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayane Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado. Por ter mentido à polícia, Dayane Souza foi presa. Contudo, após conseguir um alvará, foi colocada em liberdade. O bebê foi entregue ao avô materno.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em depoimento, admitiu participação no crime. Segundo o delegado-geral do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Minas Gerais, Edson Moreira, o menor apreendido relatou que o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, estrangulou Eliza até a morte e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães. Segundo o delegado, no dia do crime, o goleiro saiu do sítio com Eliza e voltou sem ela, o que indicaria que o goleiro presenciou a ação.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Os três negam participação no desaparecimento. A versão do goleiro e da mulher é de que Eliza abandonou o filho. No dia 8, a avó materna obteve a guarda judicial da criança.

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