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Caso Bruno: Bola ficou calado em depoimento, diz advogado

12 de julho de 2010 16h38 atualizado às 16h54

O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos (encapuzado) foi preso na semana passada. Foto: Pedro Vilela/Agência Estado

O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos (encapuzado) foi preso na semana passada
Foto: Pedro Vilela/Agência Estado

Ney Rubens
Direto de Belo Horizonte

O ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, Paulista ou Neném, não falou com a polícia de Minas Gerais durante depoimento na tarde desta segunda-feira, conforme informou o seu advogado, Zanone Manuel de Oliveira Junior. Segundo o advogado, ele respondeu a mais de 30 perguntas do delegado Edson Moreira com a mesma frase: "Me reservo no direito de permanecer calado e somente falo em juízo".

Oliveira Jr. disse ainda que encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma reclamação contra os delegados que atuam no caso e contra a juíza Marixa Fabiane Lopes, da Comarca de Contagem. Ele alega que os advogados dos envolvidos não tiveram acesso ao inquérito, mesmo com pedido formal para isso. O defensor disse ainda que entrará ainda hoje com um habeas-corpus no Tribunal de Justiça mineiro para tentar soltar seu cliente.

O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Durante a investigação, testemunhas confirmaram à polícia que viram Eliza, o filho e Bruno na propriedade. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayane Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado. Por ter mentido à polícia, Dayane Souza foi presa. Contudo, após conseguir um alvará, foi colocada em liberdade. O bebê foi entregue ao avô materno.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em depoimento, admitiu participação no crime. Segundo o delegado-geral do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Minas Gerais, Edson Moreira, o menor apreendido relatou que o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, estrangulou Eliza até a morte e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães. Segundo o delegado, no dia do crime, o goleiro saiu do sítio com Eliza e voltou sem ela, o que indicaria que o goleiro presenciou a ação.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Os três negam participação no desaparecimento. A versão do goleiro e da mulher é de que Eliza abandonou o filho. No dia 8, a avó materna obteve a guarda judicial da criança.

Especial para Terra