Bruno é levado pelo braço pela delegada Alessandra Wilke ao chegar em Minas
Foto: Ney Rubens/Especial para Terra
- Ney Rubens
- Direto de Belo Horizonte
O goleiro Bruno, do Flamengo, e seu amigo Macarrão chegaram à Delegacia de Investigações (DI) de Belo Horizonte, por volta das 23h30. A chegada ocorreu em meio a muita confusão e empurrões e um forte aparato de segurança, com cerca de 300 esperando na DI. Algumas pessoas gritavam "assassino" e "ih, vacilão, bruno, goleiro da prisão". Cruzeirenses também protestavam, xingando o goleiro, que começou a carreira no Atlético Mineiro.
Os dois serão levados para o Instituto Médico Legal (IML), onde realizarão exame de corpo de delito. Eles devem passar a noite na delegacia e prestar depoimento nesta sexta.
Macarrão foi o primeiro a entrar na Delegacia. Quando Bruno deixou o camburão e entrava na DI, o delegado titular, Edson Moreira, fez com a mão um sinal para que o jogador parasse e pediu que se "identificasse". Após dizer quem era, goleiro deu dois "tapinhas" em Moreira e prosseguiu o caminho. Bruno não estava algemado.
Bruno e Macarrão chegaram ao aeroporto de Pampulha, em Belo Horizonte, por volta das 23h05 de quinta-feira, de onde partiram em carros diferentes até a DI. Perto do hangar, um grupo de pelo menos 50 pessoas protestava perto do hangar, gritando e portando cartazes com os termos "assassino", "cadeia" e "pena de morte". Eles deixaram a cidade do Rio de Janeiro às 21h47, a bordo de uma aeronave da Polícia Civil mineira, que os aguardava desde a manhã no aeroporto Santos Dumont.
O juiz titular da 38ª Vara do Rio de Janeiro, Jorge Luiz Le Cocq, determinou a transferência do goleiro e de seu amigo. Os dois estavam detidos no presídio de segurança máxima Bangu 2, para onde foram levados após se entregarem à polícia na quarta-feira. A Justiça de Minas Gerais decretou a prisão preventiva dos dois por participação no desaparecimento da ex-amante do atleta, Eliza Samudio, que teria um filho de 4 meses com o goleiro.
A Justiça mineira enviou pedido ao Tribunal de Justiça do Rio para que Bruno e Macarrão fossem levados a Minas Gerais. Le Cocq decidiu atender ao pedido, acompanhando o parecer do Ministério Público estadual. "No sentido que o crime de seqüestro é conexo com o homicídio, a competência é do Tribunal do Júri de Contagem (MG)", disse o magistrado.
Cerca de 30 policiais armados e encapuzados aguardavam a chegada da aeronave, no hangar 7, exclusivo da Polícia Civil de Minas Gerais, no aeroporto de Pampulha. Não havia aglomeração de populares no local, que fica em área restrita da Infraero.
As duas delegadas responsáveis pelo caso em Minas, Ana Maria Santos Paes e Alessandra Wilke também estavam na aeronave. Elas tentaram junto à Vara da Infância e do Adolescente do Rio, a transferência do primo de Bruno, o adolescente de 17 anos, apreendido na casa do atleta, e responsável por delatar à polícia detalhes da morte de Eliza. No entanto, o jovem não estava na aeronave que decolou em direção a Belo Horizonte.
O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, conhecido pelos apelidos de Bola, Paulista e Neném, suspeito de ter matado e ocultado o corpo de Eliza, foi preso durante um cerco policial, nesta quinta-feira, no bairro de Pampulha, em Belo Horizonte (MG).
Bola teve a prisão decretada nesta quinta-feira e estava foragido. Ele foi cercado na casa de um parente pela polícia, mas não ofereceu resistência e se entregou. De acordo com o advogado Roberto Nogueira, que defendia o ex-policial e decidiu abandonar o caso, ele nega participação no crime.
Nesta quinta, a polícia realizou buscas em um sítio em Esmeraldas, região metropolitana de Belo Horizonte (MG), que seria do ex-policial, mas não foram encontradas novas pistas. O local fica próximo ao sítio do goleiro, para onde, onde de acordo com a polícia, Eliza teria sido levada por Macarrão, amigo do atleta, após ter sido buscada no Rio de Janeiro. No caminho, ela teria sido ferida com uma coronhada, segundo afirmou à polícia do Rio de Janeiro, o adolescente de 17 anos, primo de Bruno.
A casa do suspeito de matar Eliza, localizada em Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte, também foi vasculhada pela polícia. No local, foram encontrados seis cães e um veículo com manchas que podem ser de sangue no porta-malas. O carro seria do ex-policial. O advogado disse que as manchas de sangue podem ser dos cachorros que Bola cria e adestra na casa.
O caso
Eliza está desaparecida desde o dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.
No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Durante a investigação, testemunhas confirmaram à polícia que viram Eliza, o filho e Bruno na propriedade. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayane Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado. Por ter mentido à polícia, Dayane Souza foi presa. Contudo, após conseguir um alvará, foi colocada em liberdade. O bebê foi entregue ao avô materno.
Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncia anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em depoimento, admitiu participação no crime. Segundo o delegado-geral do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Minas Gerais, Edson Moreira, o menor apreendido relatou que o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, estrangulou Eliza até a morte e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães. Segundo o delegado, no dia do crime, o goleiro saiu do sítio com Eliza e voltou sem ela, o que indicaria que o goleiro presenciou a ação.
No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Os três negam participação no desaparecimento. A versão do goleiro e da mulher é de que Eliza abandonou o filho. No dia 8, a avó materna obteve a guarda judicial da criança.
- Especial para Terra






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