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 "A acusação comigo é política", diz Dirceu sobre Mensalão
05 de julho de 2010 02h48 atualizado às 12h42

O ex-deputado e ex-ministro do governo Lula, José Dirceu, afirmou, em entrevista à jornalista Marília Gabriela, que a acusação sofrida de participar e coordenar o Mensalão foi uma acusação de natureza "política". "Da noite pro dia, virei bandido", disse, acrescentando que tem uma "biografia política" e que nunca tinha sido, até então, "acusado de nada". "Até agora, não está provado que tive qualquer participação", completou.

"Aquilo foi uma infâmia", disse Dirceu, que também pôs em xeque a própria existência do suposto esquema de compra de votos, argumentando que o PT já então possuía aliados suficientes para a votação de projetos. Dizendo que "não há como me condenar com base nos autos" Dirceu mostra-se confiante no desfecho final: "eu vou ser absolvido pelo STF (Supremo Tribunal Federal)".

Após o estouro do caso, Dirceu abandonou o cargo de Chefe da Casa Civil do governo do PT e retornou ao cargo de deputado federal, quando acabou sendo cassado e teve os direitos de eleição cortados até 2015. Questionado sobre por que seus colegas deputados teriam votado contra ele, Dirceu disse que "a cassação foi uma questão política", com o intuito de preservar a instituição política.

Dirceu também falou sobre sua trajetória de militante e da passagem para a política. Falou que sua primeira militância política não era partidária. "Eu me rebelei contra o autoritarismo, contra o silêncio que a ditadura havia imposto", afirmou. "Eu nunca atuei na ilegalidade; quem estava na ilegalidade era o governo militar", completou.

Questionado sobre o cenário eleitoral da busca da presidência em 2010, Dirceu avalia que "um dos erros da oposição foi subestimar a Dilma" e que a candidata do PT "já ganhou personalidade". Dirceu acrescentou que não acredita que Lula cogite tentar um terceiro mandato nas eleições em 2014. "Não acredito que o lula esteja pensando nisso".

Dirceu defendeou as alianças formadas do PT com o PMDB. "Não vejo por que não podemos apoiar a Roseana", uma vez que "o PMDB nos apoiou nos momentos mais difíceis" e que "não abrimos mão de nossos ideias porque fizemos alianças". Ele ainda qualificou a tarefa do PT como a de "ajustar as contas com a história" e afirmou que os "sonhos" petistas foram realizados no governo Lula.

Redação Terra