O governo federal instalou equipamentos de gravação de áudio e vídeo nas salas reservadas para conversa entre advogados e presos nas quatro penitenciárias federais do País. O Ministério da Justiça admite ter feito escutas em conversas em pelo menos um caso, mas afirma que só acionou o mecanismo após autorização judicial. O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcanti, se reuniu com o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, para tratar das denúncias. Para advogados, a medida é inconstitucional, já que fere o princípio de inviolabilidade das conversas com seus clientes. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
Em carta à OAB, o ministério alega que os equipamentos são voltados para "segurança" e "inteligência" e seriam usados apenas em caráter excepcional, com autorização judicial. Segundo o texto, o procedimento "não faz parte da rotina da penitenciária". As escutas foram autorizadas pelo juiz federal Odilon de Oliveira, que permitiu o monitoramento dos advogados dos traficantes Juan Abadía e Fernandinho Beira-Mar, presos no Mato Grosso do Sul. Em 2008, a investigação revelou que eles planejavam sequestrar autoridades e parentes.
- Redação Terra

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