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 Amorim diz que carta do Irã fará decolar a negociação nuclear
21 de maio de 2010 19h48 atualizado às 23h43

Amorim falou sobre o acordo nuclear do Irã. Foto: Renato Araujo/Agência Brasil

Amorim falou sobre o acordo nuclear do Irã
Foto: Renato Araujo/Agência Brasil

A carta que o Irã enviará segunda-feira à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), informando sobre o acordo assinado com Brasil e Turquia para a troca de urânio, fará avançar as negociações, opinou nesta sexta-feira o chanceler brasileiro Celso Amorim, em conversa com correspondentes estrangeiros.

"Tenho certeza de que a carta virá em termos satisfatórios. Senti a disposição iraniana em negociar", afirmou Amorim, referindo-se à conversa mantida na quinta-feira com o ministro iraniano das Relações Exteriores, Manouchehr Mottaki.

Nesta sexta-feira, o Irã confirmou que fará o comunicado à AIEA na segunda-feira, 24 de maio. Para Amorim, assim que a carta do Irã for entregue à AIEA, o acordo começará a vigorar. Serão necessários, apenas, "detalhes práticos" para que o governo iraniano repasse 1,2 mil kg de urânio levemente enriquecido à Turquia, num prazo de um mês, e para que venha a receber, dentro de um ano, 120 kg de combustível para o reator nuclear de pesquisa médica de Teerã.

"Pensávamos que o próprio acordo ajudaria a reduzir as tensões. Mas acho que assim que for entregue à AIEA a carta, que seguramente será formulada em termos adequados, poderá fazer decolar o processo de negociação", insistiu Amorim.

O chefe da diplomacia brasileira, um dos principais negociadores do acordo, acrescentou que o documento do Irã com as informações "será seguido, ainda por uma resposta do Grupo de Viena. O processo tem tudo para ir adiante de forma adequada". A chamada Declaração de Teerã determinava o prazo de una semana para Teerã comunicar oficialmente à AIEA todos os detalhes do acordo.

Na quarta-feira, o diretor-geral da AIEA, Yukiya Amano, declarou em Bucareste que a agência aguardava um comunicado por escrito do Irã em relação a esse acordo. "Na segunda-feira, dia 17 de maio, fui informado sobre uma declaração assinada entre os primeiros-ministros do Irã, da Turquia e do Brasil, afirmando que o Irã entraria em contato com a AIEA no prazo de uma semana. Então, espero a nota por escrito. É a situação atual", disse à imprensa.

AFP
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