Dados do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro mostram que o bairro de Copacabana, na capital, zerou os índices de criminalidade de quatro delitos. Em um mês, não foram registrados homicídios, latrocínios (roubo seguido de morte), roubo de veículo e de residência, mesmo com o grande movimento de turistas e de cariocas no mês do carnaval. A Secretaria Estadual de Segurança coloca a diminuição desses índices como metas de redução de violência. Em março, dados mostram que a estatística se manteve.
Uma das explicações dadas pelos moradores para os bons índices é o policiamento: Copacabana é o único bairro com três Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs) ¿ Pavão-Pavãozinho, Ladeira dos Tabajaras e Chapéu Mangueira ¿, duas delegacias e um batalhão. Há 26 anos no bairro, a aposentada Maria da Graça Coelho, 74, diz que nunca se sentiu tão segura. "As ruas estão superpoliciadas, além de ter muitos guardas municipais circulando. Todos os dias caminho tranquila. Depois da instalação das UPPs, acho que ficou ainda mais seguro", afirma.
O comandante do 19º BPM, tenente-coronel Rogério Seabra, festejou os números. "Nossos índices são europeus. Coloquei até um cartaz no batalhão para incentivar a tropa", disse, empolgado, detalhando as principais mudanças: "Desloquei o efetivo a pé para dar mais visibilidade, fazemos treinamento em pontos com grandes índices de roubos e palestras motivacionais para os policiais manterem o foco no trabalho". Segundo o oficial, a sensação de segurança é uma tendência que se verifica desde o Ano-Novo. "Fiz uma pesquisa e, desde 1972, nunca tivemos uma passagem de ano sem crimes, como a última".
O delegado da 12ª DP, Antenor Martins, atribui o aumento da segurança ao que chama de ¿tripé modelo¿: ¿Temos as UPPs nas comunidades, integração maior entre as polícias e participação ativa da sociedade. Essa é uma vitória da população, que aprendeu a denunciar e cobrar do poder público¿. Para ele, o aumento da equipe da delegacia também foi fundamental para a solução de crimes. Desde o dia 2 de fevereiro, o número de policiais passou de 32 para 70, além de mais dez carros e 13 laptops. "Agora, recebemos denúncias e podemos investigar imediatamente. Também botamos mais agentes nas ruas e fazemos levantamentos diários dos registros para detectar áreas de incidência e perfil dos criminosos".
A sensação de segurança melhorou, mas Copacabana ainda está longe de ganhar nota 10. O número de roubos a pedestres ainda é preocupante. Foram 83 casos em fevereiro, contra 77 no mesmo período de 2009. Apesar de considerar os números bons, o secretário José Mariano Beltrame disse que o objetivo não é zerar criminalidade. "Depende de uma série de fatores externos ao trabalho da polícia, inclusive as condições sociais. O importante é termos números baixos e percepção de segurança no mesmo patamar", disse ele, deixando escapar uma de suas próximas metas. "UPP é uma boa solução para as comunidades controladas por traficantes. Mas para o asfalto, é o policiamento ostensivo. No lugar de UPP, esses lugares em geral precisam é de polícia no asfalto, desses minibatalhões, como estão chamando. É o que queremos fazer".
Bons resultados em indicadores do Estado
Os quatro indicadores estratégicos (homicídio doloso, latrocínio, roubo de rua e de veículos) estabelecidos pelo estado apresentaram redução em fevereiro em relação ao mesmo mês de 2009. O índice de homicídios dolosos caiu 14,9%, com 83 vítimas a menos. Latrocínio (roubo seguido de morte) contabilizou 13 vítimas, uma redução de 31,57%, ou 6 casos. Roubo de carros apresentou queda de 26,5%: 628 ocorrências. Roubo de rua (pedestre, celular e coletivo), que havia crescido em janeiro, diminuiu 16% ¿ ou 1.237 casos.
Segurança na hora de passear no calçadão
Mesmo quem não mora em Copacabana sente a diferença. A chilena Ximena Olgun, 50, que se mudou para Ipanema ano passado, é frequentadora assídua do calçadão mais famoso do mundo. "Gosto muito de passear com meu cachorrinho. Venho todos os dias e ando despreocupada, com minha bolsa e um dinheirinho para comprar minha água de coco. Me sinto segura em Copacabana", disse.
Mãe de Eduardo, de 23 dias, a nutricionista Renara Araújo, 29 anos, está satisfeita. "Tenho visto mais patrulhas circulando e um policiamento mais ostensivo. A população de Copacabana sempre cobra muito a questão da segurança e está funcionando", diz a brasiliense, que mora em Copa há três anos. A mineira Michele Heluey, 27, que anualmente passa férias no Rio, diz que sentiu melhora na segurança desde o início do ano. "Percebi isso no Carnaval, que foi bem mais tranquilo".
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio, Alfredo Lopes, afirmou que a redução de crimes será positiva para o setor. "Cerca de 68% dos hotéis da cidade estão em Copacabana, que é um ícone. Precisamos agora manter os índices. Já acompanhamos melhora significativa, principalmente na segurança dos turistas. Tanto que, para o feriado desta semana, os hotéis estão cheios", disse.

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