Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella, participa da missa
Foto: Raphael Falavigna/Terra
- Hermano Freitas
- Direto de São Paulo
A mãe de Isabella Nardoni, Ana Carolina Oliveira, se irritou na noite desta terça-feira - quando foi celebrada uma missa pelos dois anos da morte de sua filha - ao ser questionada a respeito da possibilidade de um novo júri popular para o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. O pai e a madrasta da menina foram condenados na semana passada. "Tem que haver o mínimo de respeito. A sociedade também não é palhaça", disse ela, que chorou durante a cerimônia.
A defesa do casal, representada pelo advogado Roberto Podval, afirma que irá recorrer da decisão nesta semana e pedir um novo julgamento com base em uma lei antiga, em vigor na época do crime, que garante automaticamente um novo júri para penas maiores de 20 anos.
Segundo Ana Carolina, "nada do que foi feito" no julgamento foi errado e deve haver moderação nas declarações a respeito do assunto. Ainda comentando a condenação, ela declarou que o resultado foi "extremamente satisfatório". "Era o que eu esperava. Valeu a pena".
Ela chorou durante os cânticos na igreja Nossa Senhora dos Prazeres, na zona norte de São Paulo, onde mais de 800 pessoas acompanham a missa de dois anos da morte da menina. Enquanto chorava, Ana Carolina foi abraçada pela mãe, Rosana, e pelo padre Humberto Robson de Carvalho. Ela chegou ao local 15 minutos antes do início da cerimônia e cumprimentou dezenas de pessoas que vestiam camisetas com uma estampa de sua filha.
A cerimônia acontece três dias após a condenação do pai e da madrasta da menina a 31 anos e 26 anos, respectivamente. O promotor Francisco Cembranelli, que conduziu a acusação no julgamento, foi muito aplaudido e ovacionado como um herói na igreja.
O avô materno de Isabella, José Oliveira, afirmou que a família está saindo de uma "ressaca" pela tensão do julgamento e criticou os advogados de defesa por terem retido sua filha no Fórum de Santana. Ana Carolina ficou no local, a pedido do advogado Roberto Podval, desde o primeiro dia do júri, quando depôs, até o último, para o caso de haver necessidade de uma acareação. "Foi um tiro no pé", afirmou.
O padre que celebrou a missa foi o mesmo que batizou Isabella Nardoni, há quase oito anos. "Esta cerimônia é para dar forças à mamãe", disse. "É bom a comunidade ver de perto quando alguém luta pela justiça", afirmou, se referindo ao promotor. Cembranelli foi mais uma vez aplaudido por todos os que estavam na igreja. A cerimônia teve início pontualmente às 20h.
Julgamento
O júri popular de Alexandre e Anna Jatobá durou cinco dias, de 22 a 27 de março, quando foi lida a sentença. A pena foi agravada pelo crime ter sido cometido contra menor de 14 anos, triplamente qualificado por meio cruel (asfixia mecânica e sofrimento intenso), utilização de recurso que impossibilitou a defesa da vítima (surpresa na esganadura e lançamento inconsciente pela janela) e com o objetivo de ocultar crime cometido anteriormente (esganadura e ferimentos praticados anteriormente contra a mesma vítima). Nardoni pegou pena maior por ter matado a própria filha.
O casal seguirá cumprindo sua pena nas penitenciárias maculina e feminina de Tremembé (a cerca de 130 km da capital paulista), onde retomará as atividades que fazia antes do julgamento e que incluem trabalho.
O caso
Isabella tinha 5 anos quando foi encontrada ferida no jardim do prédio onde moravam o pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, na zona norte de São Paulo, em 29 de março de 2008. Segundo a polícia, ela foi agredida, asfixiada, jogada do sexto andar do edifício e morreu após socorro médico. O pai e a madrasta foram os únicos indiciados, mas sempre negaram as acusações e alegam que o crime foi cometido por uma terceira pessoa que invadiu o apartamento.
- Redação Terra










